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- Dias em branco
Há dias que não deixam frase. Só a marca de não terem deixado nada. Abro o caderno, olho a página, pouso a caneta… e fecho. Como quem entra numa sala e sai sem dizer palavra. Não é desistência. Nem ausência. É apenas um momento em que o corpo ficou mais pesado do que a ideia. Um dia em branco também é dia. Também conta. Também ocupa o seu lugar na sequência das páginas. Há quem escreva para resistir. Eu, às vezes, não escrevo para não trair. Trair o silêncio. Trair o que ainda não chegou. Trair o que talvez nunca venha — e, mesmo assim, merece lugar. AC Caderno aberto com folhas brancas visíveis #CadernoAberto #AlbertoCarvalho #DiasEmBranco #SilêncioEscrito #Narrador
- Para quem não disse que vinha
Não disse a ninguém que voltava a escrever. Nem a mim próprio. Apenas abri o espaço, como quem empurra devagar a porta de uma casa antiga. Não para se instalar — mas para ver se ainda estava tudo no lugar. Às vezes, escrevo como quem acende uma luz numa sala onde não há ninguém. Só para saber se ainda funciona o interruptor. Não espero resposta. Mas há dias em que me pergunto se alguém reparou na claridade. Este texto é isso: Uma lâmpada acesa no meio de um silêncio que não me respondeu, mas também não me mandou calar. Luz branca projetada numa sala vazia #CadernoAberto #AlbertoCarvalho #LuzSilenciosa #EscreverSozinho #Narrador
- Escrito devagar, como quem abre um caderno ao fim da tarde
Começar é sempre uma espécie de traição ao silêncio. Estive muito tempo a não escrever aqui. Não por falta de palavras, mas porque não sabia se este lugar pedia voz ou apenas presença. Talvez o mundo esteja cheio de páginas, mas ainda falte um caderno. Um caderno onde o tempo entre devagar, sem anúncios nem alertas. Onde as palavras não sirvam para ensinar, mas para fazer companhia. Escrevo isto como quem desenha o primeiro risco num papel novo — sabendo que pode não ser o mais bonito, nem o mais certo. Mas é o primeiro. E o primeiro, às vezes, é apenas isso: o gesto de alguém que pousa a mão e começa. Não sei quem há-de vir. Nem sei se vêm. Mas quem vier, leia como se fosse para si. Porque foi. AC Caderno fechado sobre uma mesa antiga, iluminado por luz suave #CadernoAberto #AlbertoCarvalho #Narrador #PalavrasLentas #LeituraSilenciosa


