top of page

Cartoon - A Rússia no Sistema Chinês

Atualizado: 18 de mai.

O vagão russo está parado. Ninguém o prende. Essa é a parte mais desagradável.


Tem um brasão, peso antigo, madeira escura, uma ideia de grandeza que ainda não percebeu bem onde acordou. Dentro, um homem espera junto à janela. Não parece derrotado. Talvez fosse mais fácil se parecesse. A estação chinesa continua: contentores, trabalhadores, máquinas, horários, luz branca sobre o cimento. Nada ali está contra ele. Nada ali precisa dele no centro.


Putin sentado num vagão antigo com brasão russo, numa estação de carga chinesa nocturna. Ao fundo, o comboio Fuxing e contentores da China Railway Express.
Putin observa Pequim a partir de um vagão imperial. Do outro lado da plataforma, a China não espera.

A dependência raramente aparece como dependência no primeiro dia. Vem misturada em contratos de energia, descontos, rotas alternativas, pagamentos feitos por outros canais, peças industriais que continuam a chegar quando muitas portas se fecharam. A Rússia ainda fala como se escolhesse o caminho; cada vez mais, porém, encontra esse caminho já desenhado.


A guerra empurrou Moscovo para leste. A China recebeu esse movimento sem pressa e sem necessidade de o chamar pelo nome certo. Para Pequim, uma Rússia enfraquecida mas funcional serve melhor do que uma Rússia caída: continua contra o Ocidente, vende energia, ocupa espaço, conserva orgulho suficiente para parecer parceira.


No desenho, o vagão mantém o brasão. Isso talvez seja o mais exacto. Ninguém lhe retirou os símbolos. Ninguém precisou. Fica parado na estação, enquanto à volta o trabalho continua.


Talvez alguns impérios deixem de se afirmar assim. Não com uma queda, mas com uma permanência estranha. Continuam sentados, a olhar pela janela, enquanto lá fora se decide a hora do próximo comboio.

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page