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Ensaio
Textos de interpretação longa. Nascem muitas vezes de um facto concreto, mas ultrapassam-no pela reflexão, pela linguagem e pela leitura moral, política ou cultural do que acontece.


Oscar de la Renta, ou a beleza como forma de presença
Oscar de la Renta não deixou apenas vestidos. Deixou uma ideia de elegância em que a beleza não se desculpa, não domina quem a veste e só começa verdadeiramente quando entra na vida.
6 min de leitura


Portugal Vigia Agressores. Não Sabe Quantos Reincidem
Em 2025, 148 mulheres foram mortas no Brasil apesar de terem uma medida protetiva em vigor. Portugal usa mais de 1.600 pulseiras em processos de violência doméstica, mas ainda não sabe quantos agressores reincidem. A comparação revela o privilégio de não conhecer o próprio fracasso.
5 min de leitura


Regulares em Tudo, Exceto no Sexo
Em 1999, a Grande Loja Unida de Inglaterra encontrou uma fórmula para falar das obediências femininas sem as reconhecer: chamou-lhes "regulares em tudo, exceto no sexo dos seus membros". A frase, mais do que qualquer landmark, é a chave de todo o problema.
5 min de leitura


Quando a Igreja volta a fechar a porta à Maçonaria
Durante décadas, a incompatibilidade entre Igreja Católica e Maçonaria pareceu viver sobretudo nos documentos. Em 2026, voltou a chegar aos sacramentos, às instituições e até aos funerais.
7 min de leitura


A Pessoa Acaba Onde o Corpo Termina?
Uma pessoa sabe que a mão diante dela é artificial e, ainda assim, pode começar a senti-la como parte do corpo. Experiências sobre perceção, memória e localização corporal mostram que a fronteira física do «eu» é menos simples do que parece.
8 min de leitura


O Médico que Viu o Próprio Corpo no Chão
Durante quarenta anos, José Morales certificou mortes. Depois de perder os sentidos, afirmou ter observado o próprio corpo inerte entre um móvel e a parede. O episódio deixa por esclarecer a distância entre a memória de quem o viveu e aquilo que a medicina consegue demonstrar.
8 min de leitura


A Crimeia Está às Escuras e Quase Ninguém na Rússia Sabe
Uma mulher risca um fósforo na escuridão, três vezes antes de pegar. A chama, pequena, ilumina só as mãos e a mesa da cozinha, não o resto da casa. Já sabe de cor onde fica a vela, sabe quantos passos há até à porta sem precisar de ver, e sabe também, com a mesma naturalidade prática, que esta noite vai ser outra vez assim.
8 min de leitura


A Varíola Não Nasceu Assassina
O avô ergueu a manga da camisa até ao ombro e mostrou a marca ao neto. Era um círculo pequeno, com a pele ligeiramente deprimida e mais clara à volta, como se uma moeda quente tivesse sido pressionada contra o braço décadas antes e a pele nunca tivesse esquecido a forma.
7 min de leitura


Wiriyamu e Gaza: o mesmo vocabulário, décadas depois
Uma bomba de novecentos quilos mata num raio de 365 metros; uma mais pequena, até vinte metros. Entre estes dois números cabe uma guerra completa em Gaza, decidida sempre em fracções pequenas de mais para exigir uma decisão sobre o todo. Meio século antes, em Wiriyamu, Portugal tinha o seu próprio vocabulário técnico para o mesmo problema.
6 min de leitura


Duas Visitas a um Homem Distante
Voltei hoje a São Vicente de Fora para o cumprimentar. Não sei bem que palavra usar para o que ali se faz. Não é bem oração. Também não é bem visita de cortesia.
3 min de leitura


Portugal Não É Um País Pequeno
Em 1934, um mapa de propaganda garantia que Portugal não era um país pequeno. Em 1960, um monumento continuou a dizer o mesmo, já sem grande coisa por trás. Um ensaio sobre as palavras que sobrevivem ao que um dia nomearam; e o que se faz com elas depois disso.
4 min de leitura


Robert D. Kaplan: o perigo de governar com 30% da informação
Robert D. Kaplan parte de uma ideia incómoda: os dirigentes decidem quando ainda lhes falta a maior parte da informação. Entre o medo, a memória histórica e os limites das instituições, o erro pode nascer de razões reconhecíveis — e continuar a ter consequências irreversíveis.
10 min de leitura


A instituição que queimou os seus próprios radicais
A 7 de maio de 1318, quatro frades foram queimados em Marselha por recusarem reconhecer que os seus superiores tinham autoridade para os dispensar da pobreza que o fundador da sua ordem lhes tinha deixado como regra de vida. A instituição que os condenou não estava a trair essa regra por acaso — estava a descobrir, da forma mais dura possível, que nenhuma organização pode durar séculos sustentando, como doutrina, que não deve possuir nada.
8 min de leitura


Portugal prometeu reparar 1497. A sinagoga pagou a fatura.
Em 2015, Portugal criou uma via de nacionalidade para reparar 1497. Abramovich usou-a primeiro. A sinagoga do Porto pagou a fatura.
9 min de leitura


Os portões de Karaj
Um poeta que nunca fugiu, um cemitério com os portões fechados a cada julho, e cinco livros americanos que se esqueceram de perguntar o que significa ficar. Uma reflexão a partir de Lisboa sobre quem o Ocidente escolhe ouvir — e quem decide não ouvir.
4 min de leitura


Ainda reconhecemos o carácter?
Numa sala de reuniões aparentemente banal, uma cadeira vazia desencadeia uma reflexão sobre uma palavra que permanece viva no discurso público, mas perdeu parte da sua força: carácter. Entre a política, a cultura e a vida quotidiana, este ensaio interroga a forma como a eficácia passou a valer mais do que a contenção, a visibilidade mais do que a reputação e porque continuamos a admirar certas virtudes mesmo quando já raramente as pedimos a quem exerce poder.
8 min de leitura


A história depois da autoridade
A internet e a inteligência artificial mudaram a forma como o passado circula. A história deixou de depender apenas de arquivos, universidades e livros, passando a disputar atenção com memes, vídeos, suspeitas e narrativas identitárias.
7 min de leitura


O Mundial e o medo antes da viagem
Num café de bairro, uma frase sobre o México basta para mostrar como uma narrativa pode viajar mais depressa do que os factos. Entre futebol, medo, turismo e redes digitais, o Mundial de 2026 revela que os grandes eventos também se disputam nas histórias que chegam antes das pessoas.
6 min de leitura


Leão XIV e a humanidade que delegámos à IA
A partir de Magnifica Humanitas, Alberto Carvalho observa a inteligência artificial como a máquina das nossas delegações: tarefas, linguagem, atenção, juízo e cuidado. Um ensaio sobre o que ainda recusaremos entregar a sistemas sem corpo, memória ou responsabilidade moral.
11 min de leitura


O que um aliado não diz
Num edifício em Kiryat Gat há dois andares que nunca se falam. Um para trabalhar juntos. Outro para guardar segredos. O edifício foi construído assim de propósito. Toda a gente sabe que existe o outro andar. Ninguém fala nisso.
5 min de leitura
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