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Actualidade
O dia que merece ser tratado longamente. Não toda a notícia — apenas aquela que exige mais do que um título.


O mercado político do ódio útil
A política portuguesa aprendeu a transformar frustração material em identidade negativa. Entre o Chega, a polarização afetiva e a suspeita sobre os pobres, o ódio tornou-se um recurso útil: barato, mobilizador e administrável.
8 min de leitura


O Homem que Escreveu ao Destinatário Errado
Há uma fotografia que não existe. Nela, um homem sentado numa sala lê uma carta que outro homem escreveu para ele. O homem que lê é Vladimir Putin. No rosto de Putin não se lê nada de útil — há vinte e seis anos que não se lê nada de útil.
7 min de leitura


Leão XIV e a inteligência artificial: a dignidade humana perante a máquina
Em Magnifica Humanitas, Leão XIV coloca a inteligência artificial no centro de uma pergunta moral e política: que lugar resta à pessoa humana quando a máquina passa a mediar o trabalho, a verdade, a guerra, a privacidade e o poder? Frei Lourenço de Santa Clara lê a encíclica como advertência contra a idolatria da eficiência e a concentração tecnológica.
7 min de leitura


Portugal no raio-X: patriotismo, memória e a bandeira no tabuleiro
Uma pequena bandeira portuguesa, pousada no tabuleiro de segurança do Aeroporto Humberto Delgado, serve de entrada para um ensaio sobre patriotismo, memória histórica, império, guerra colonial, Abril, emigração e a tentação de transformar a pátria em instrumento de exclusão.
9 min de leitura


Hantavírus: como um surto limitado se transformou numa narrativa de medo
O surto de hantavírus foi avaliado como risco baixo para a população geral. Nas redes, o episódio foi convertido em arma biológica, vacina e confinamento. A memória da COVID-19 continua a moldar a comunicação de risco.
8 min de leitura


Alemanha Recusa Software da Palantir
A Alemanha não recusou apenas uma empresa americana. Hesitou diante de uma forma de vigilância algorítmica que reorganiza a suspeita. A questão europeia já não é só técnica: é saber quem ensina o Estado a ver.
8 min de leitura


O Homem Que Queria Gostar do Imperador
Trump saiu de Pequim com poucos resultados concretos. Xi ofereceu-lhe a cerimónia, a distância e a sensação de reconhecimento. O encontro revelou menos uma vitória diplomática do que a vulnerabilidade de uma política externa movida pela relação pessoal.
7 min de leitura


As Laranjas de Sevilha | Conto real
Mais tarde, quando os homens estavam na sala a ver televisão, as duas ficaram na cozinha a lavar a loiça. Sofia lavava, Helena secava. E foi ali, entre pratos molhados e o murmúrio distante da televisão, que Sevilha deixou de ser uma cidade e passou a ser uma pergunta.
6 min de leitura


Óscares: o prestígio já não é o centro
Uma cerimónia pode conservar o brilho mesmo quando deixa de ocupar o centro do mundo.
6 min de leitura


O Silêncio da Primeira-Dama Americana
Durante vinte dias, a política surge menos como decisão e mais como preparação. Entre provas de roupa, reuniões discretas e gestos calculados, constrói-se uma narrativa onde o poder não se exerce por decreto, mas por enquadramento. O filme não explica Melania Trump — mostra o método através do qual a imagem se torna linguagem política.
3 min de leitura


A Primeira-Dama Americana e a Encenação do Poder
Não governa, não legisla, não decide — mas enquadra. A primeira-dama americana ocupa um lugar onde o poder não se exerce por autoridade formal, mas por imagem, gesto e coreografia. Neste espaço ambíguo, a política transforma-se em encenação e o silêncio ganha função estratégica.
3 min de leitura


O Cansaço da Autoridade
A aprovação desce para 37% e o número, visto num ecrã de telemóvel, já não provoca choque — apenas confirma um estado. O que se desgasta não é só a popularidade de Donald Trump, mas a folga do poder executivo num país que aprendeu a viver em conflito. Quando a confiança se retrai, governar não se torna impossível. Torna-se mais caro, mais rígido e mais reativo.
5 min de leitura


A Presidência Não é um Troféu
Nesta segunda volta, o voto não decide só um rosto. Decide o que fazemos do cargo: árbitro discreto ou megafone de facção. Há um candidato que já anunciou não querer ser Presidente de todos — e isso transforma Belém num teste de resistência institucional. O país não está a escolher uma fotografia; está a escolher o tipo de silêncio, de pressão e de poder que aceita a partir de amanhã.
6 min de leitura


O vidro, o ecrã, o segundo antes da morte
Em Minneapolis, Alex Pretti, enfermeiro de cuidados intensivos, morreu numa intervenção com agentes do ICE e da Border Patrol. A morte foi filmada e multiplicada por vários ângulos. A prova não encerrou o caso: abriu uma guerra pela leitura. Num vídeo, Pretti segura um telemóvel; a arma é afastada e volta como símbolo. O conflito passa a ser quem manda no sentido do que todos viram — e no que fica fora de câmara.
9 min de leitura


Ler e ouvir o Atlantic Lisbon
O Atlantic Lisbon publica ensaios, crónicas e textos longos em português. Os artigos podem ser lidos no site e, quando disponível, ouvidos através de voz sintetizada.
8 min de leitura
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