top of page

Liechtenstein anuncia igualdade. Família prefere república.

há 2 dias
3 min de leitura

Reforma da sucessão divide a família do Liechtenstein


A 15 de agosto, o príncipe herdeiro Alois abriu a sucessão ao trono às mulheres e chamou-lhe progresso. Semanas depois, soube-se que parte da sua própria família estava a preparar um processo contra ele.


No dia nacional do Liechtenstein, Alois subiu ao palco e anunciou que o trono passaria a caber ao primogénito, fosse homem ou mulher. Apresentou a decisão como parte da capacidade histórica da casa para conciliar continuidade e renovação. A reforma foi recebida como mais um passo de uma monarquia europeia para abandonar a preferência masculina na sucessão. Entre as monarquias hereditárias do continente, restava o Mónaco.


Imagem editorial em tons suaves: castelo branco no topo de uma colina, rodeado de névoa e montanhas nevadas ao fundo, com o texto centrado “Liechtenstein anuncia igualdade. Família prefere república.” e “Atlantic Lisbon” abaixo.
Castelo de Vaduz, capital do Liechtenstein, envolto em neblina nas montanhas alpinas.

Na mesma votação, os membros da família aprovaram alterações que reduziram os mecanismos de controlo sobre as decisões de Alois e alargaram os seus poderes em matéria de títulos, brasões e pertença à dinastia.


Ser reconhecido como membro da casa determina também o acesso às rendas da fortuna familiar. Uma parte substancial dessa riqueza é administrada através do LGT, o banco privado da família, presidido pelo irmão de Alois. Em 2025, o banco distribuiu à família cerca de 878 milhões de dólares.


Vários príncipes consideram que a reforma permitiu a Alois reforçar a autoridade sobre os restantes membros da casa. Segundo os dissidentes, a contestação procura assegurar igualdade de direitos no interior da família. O processo contra as alterações estaria a ser preparado havia meses e contaria com o apoio de outros familiares.


Entretanto, revelações recentes dos ficheiros Epstein indicaram que o LGT empregara uma jovem próxima do financeiro norte-americano e que ela mantivera contacto com Jeffrey Epstein enquanto trabalhava no banco. A informação tornou-se pública quando Alois procurava obter da família apoio para as alterações ao Direito da Casa.


Quase um terço dos cinquenta príncipes com direito de voto opôs-se à reforma, segundo uma carta interna do Castelo de Vaduz. Alguns dos opositores sustentam que o número de descontentes era superior ao registado oficialmente.


Liechtenstein anunciou igualdade. Uma fação da família prefere a república.


Pela primeira vez em três séculos de tradição, a votação decorreu por correspondência. Os advogados dos dissidentes entendem que a reforma poderá ser juridicamente nula se não ficar demonstrado que a maioria qualificada de dois terços foi validamente alcançada. Como não existe uma via clara de recurso através do Tribunal Constitucional, admitem levar a questão aos tribunais civis do país.


Nenhum tribunal analisou até hoje o estatuto jurídico do Direito da Casa. Também não existe precedente para uma disputa judicial desta natureza no interior da família principesca.


Em junho, Alois anunciara que vetaria a legalização do aborto até às doze semanas de gravidez, mesmo que a proposta fosse aprovada pelos liechtensteinianos em referendo. Alguns dos familiares que agora contestam a reforma viram nessa declaração a disposição do príncipe para impor as suas convicções católicas ao país. A Casa Principesca respondeu que a decisão sobre a matéria pertence exclusivamente a Alois enquanto chefe de Estado em exercício.


O Direito da Casa encontra-se fora da Constituição do Liechtenstein, mas determina quem pode herdar a chefia de Estado. O titular do cargo dispõe de poderes para vetar leis, destituir governos e dissolver o parlamento. Há mais de duas décadas, um organismo de peritos jurídicos do Conselho da Europa qualificou como «simplesmente espantoso» o enquadramento constitucional desses poderes.


A reforma de agosto abriu a sucessão às mulheres e alterou, na mesma votação, a distribuição de autoridade dentro da dinastia. Os familiares que contestam o procedimento preparam agora a intervenção dos tribunais civis. Entre eles, alguns já admitem uma consequência mais ampla caso Alois recuse rever as alterações: prefeririam que o Liechtenstein se tornasse uma república.

Fontes: Financial Times, 19/20 de setembro de 2026; comunicado oficial da Casa Principesca do Liechtenstein, 15 de agosto de 2026.

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page