top of page

Resultados de busca

225 resultados encontrados com uma busca vazia

  • O Ofício das Horas

    No claustro da tarde, quando a luz já não fere mas acaricia, aprendo a medir o tempo pela lentidão com que o pó assenta nas páginas abertas. Não há sino que chame; é o próprio ar que se recolhe, como quem se lembra de rezar. O cálice repousa sobre o altar com a paciência das coisas que sabem esperar. Entre um salmo e outro, a assembleia respira num compasso que não foi escrito — é dom. Cada rosto traz a marca de um cansaço antigo e, ao mesmo tempo, a centelha de quem sabe que ainda pode recomeçar. É aqui, Senhor, que a Tua voz se esconde nas dobras de um gesto simples: o acólito que acende a vela, a mão idosa que ajeita o xale, o olhar de quem chega atrasado mas não perde a bênção. Não há pressa. Não há notícia que interrompa esta ordem secreta. Talvez a fé seja isto: guardar no coração o rumor das pequenas fidelidades, até que elas floresçam no instante certo. Como a água que corre debaixo da pedra, sem que ninguém a veja, mas que alimenta tudo o que cresce em redor. Quando a última oração se cala, não há despedida — há envio. E cada um parte com um fragmento da assembleia dentro de si, levando para as ruas o perfume do incenso e a leveza de quem foi, por um momento, hóspede da Tua paz. Frei Lourenço de Santa Clara — Pequenos Tratados do Invisível O valor do silêncio no altar #Silêncio #Oração #Espiritualidade #Liturgia #FreiLourençoDeSantaClara

  • Pequenos Tratados do Invisível

    Frei Lourenço de Santa Clara Escreve como quem acende uma vela antes de falar. As suas frases caminham devagar, com a gravidade de quem aprendeu a ouvir antes de responder. Nasceu no claustro imaginário que construiu para si mesmo — um lugar feito de silêncio, de leitura e de memórias partilhadas com monges que só existem nos livros. Gosta de olhar a vida pública com a lente da ética e da espiritualidade, não para fugir ao mundo, mas para o compreender de dentro. Nas suas páginas, política e fé não são inimigas: conversam à sombra do mesmo claustro. Fala de justiça como quem fala de pão, e de misericórdia como quem descreve o nascer do dia. No Pequenos Tratados do Invisível, deixa sementes que crescem devagar, mas nunca se perdem. Frei Lourenço de Santa Clara Frei Lourenço — a voz ética e espiritual da Comunidade AC. #FreiLourenço #ComunidadeAC #PequenosTratadosDoInvisível #Ética #Espiritualidade #VidaPública #AlbertoCarvalho

  • Esperar

    A espera também conta na história. A mais velha: Hoje, no parque, o escorrega grande estava fechado porque precisava de arranjo. Fiquei sentada a olhar para ele e pensei que esperar é mais difícil quando vemos o que queremos e não podemos ter. Há quem diga que esperar ensina paciência, mas acho que também nos ensina a imaginar o que vamos fazer quando a espera acabar. A mais nova: Eu acho que esperar é como quando estás a ver o pacote de batatas fritas na mesa e ainda ninguém disse que podes abrir. A cabeça começa a inventar histórias sobre como vai ser a primeira dentada. Às vezes, a espera é quase melhor do que o momento… quase. As duas: Talvez seja por isso que, quando finalmente chega a nossa vez, o momento sabe mais — porque o tempo que passou também faz parte do que recebemos. As duas irmãs do Caderno — cumplicidade enquanto esperam. #CadernoDasDuas #ComunidadeAC #Esperar #Paciência #EscritaJuvenil #VozesDaJuventude #AlbertoCarvalho

  • Ser justo

    A justiça também se aprende nas férias. A mais velha: Hoje, no jogo de cartas, vi um miúdo a inventar regras para ganhar. Não disse nada logo, mas senti que devia. Ser justo não é só seguir as regras — é lembrar aos outros que elas existem para todos, mesmo quando ninguém está a olhar. A mais nova: Eu acho que ser justo é mais difícil quando a pessoa que está a fazer batota é tua amiga. Porque aí ficas a pensar: “Não quero estragar o jogo.” Mas às vezes é preciso estragar um bocadinho para o arrumar de novo. Não é por mal, é porque se toda a gente fizer de conta que não vê, um dia já não há jogo, só confusão. As duas: E talvez seja isso que os adultos esquecem: a justiça começa nas coisas pequenas. Até num jogo de férias. Avatar das duas irmãs do Caderno das Duas, lado a lado, com expressões distintas mas cúmplices, como se acabassem de comentar um jogo nas férias. #CadernoDasDuas #ComunidadeAC #Justiça #Férias #JogosDeVerão #EscritaJuvenil #VozesDaJuventude #AlbertoCarvalho

  • O mundo visto a duas vozes

    No Caderno das Duas há páginas que começam com uma gargalhada e outras com um ponto de interrogação. São escritas por duas irmãs — 13 e 12 anos — que partilham um mesmo caderno e a liberdade de escrever sem pedir licença. Uma gosta de pensar devagar, de medir as palavras, de procurar sentido no que vê. A outra escreve como quem corre: rápida, direta, às vezes com ironia, outras com espanto. Juntas, constroem um retrato do mundo a partir de uma idade em que tudo ainda é possível mudar. Falam de escola, de amizades, de política, de injustiças e de descobertas. E lembram-nos que há perguntas que só a juventude tem coragem de fazer. Na Comunidade AC, o Caderno das Duas é o lugar onde o futuro já está a escrever-se. Quando crescer é também aprender a perguntar. #ComunidadeAC #CadernoDasDuas #Juventude #OpiniãoJovem #Cidadania

  • A lupa de Helena Vale

    Helena Vale não escreve para entreter. Escreve para desmontar — com a paciência de quem sabe que, na política e na vida, os detalhes são o que mais pesa. Há quem fale de “opinião” como se fosse mera impressão. Helena trabalha a opinião como um artesão trabalha o vidro: limando arestas, expondo fragilidades, deixando passar a luz onde antes havia sombra. Não lhe interessa o aplauso fácil. Interessa-lhe que, ao fechar o texto, o leitor sinta que compreendeu melhor o que antes parecia um labirinto. Na Comunidade AC, Helena Vale é a voz que não tem medo de perguntar “porquê?” até ao fim. Mesmo que a resposta incomode. Sobretudo quando incomoda. AC Ver de perto para pensar mais longe. #ComunidadeAC #HelenaVale #AnálisePolítica #PensamentoCrítico #Opinião

  • O silêncio que ainda falta ouvir

    Há silêncios que não são ausência. São presença inteira. O silêncio que nos interessa não é o de quem se demite, mas o de quem prepara a palavra como se fosse pão. Um silêncio que pesa, que resiste à pressa e à espuma dos dias. Frei Lourenço de Santa Clara olha o país como quem observa um claustro depois da procissão: já não há música, já não há passos, mas ficou no ar a certeza de que algo sagrado aconteceu. E, no entanto, sabe que a política é feita de homens e mulheres que raramente se ajoelham antes de decidir. Escrever, para ele, é quase um ato litúrgico. Não para erguer templos, mas para lembrar que a justiça não é uma ideia suspensa — é pão para hoje, e pão para todos. O silêncio de Frei Lourenço não é neutro. É um silêncio que toma partido: pelo pobre, pelo que perdeu, pelo que nunca teve. E, quando a palavra chega, não é para ornamentar o vazio, mas para dizer o que, dito alto demais, se perde no ruído. Aqui, na Comunidade AC, o Frei escreve para quem sabe que o país não se mede só em contas públicas e orçamentos. Mede-se também no rosto de quem ninguém chama pelo nome. AC Quando o silêncio fala mais do que mil discursos. #ComunidadeAC #FreiLourenço #Silêncio #JustiçaSocial #DignidadeHumana #Reflexão #Espiritualidade

  • Porquê uma Comunidade

    Um espaço de portas abertas à palavra livre. Começa sempre com um nome. Depois com uma voz. E, quando damos por nós, há outras vozes que se encostam a essa primeira como quem procura abrigo. A Comunidade AC nasceu assim: não de um plano calculado, mas do encontro inesperado de vontades. Não somos iguais. Não escrevemos da mesma forma. E é precisamente por isso que existimos. Neste espaço, cabem as perguntas que não cabem nas agendas oficiais. Caberá o silêncio de Frei Lourenço, que pesa mais do que muitas frases. Caberá a praça de Maria do Rio, onde a política se mistura com o cheiro a café. Caberá a lupa de Helena Vale, que vê histórias nos números. E caberá o Caderno das Duas, onde a juventude escreve sem pedir autorização. O que nos une não é uma doutrina. É uma disposição — a de olhar o país e o mundo sem medo de pensar e de dizer. Aqui, cada texto é uma peça de conversa. E, como em todas as conversas que valem a pena, há momentos de acordo e de desacordo, há pausas, há risos e há coisas que doem. Se o leitor ficar connosco, vai descobrir que esta comunidade é, na verdade, uma casa com muitas portas abertas. Entre por onde quiser. E, se um dia sentir que também tem algo a dizer, bata à porta. Alguém, deste lado, vai ouvir. AC #ComunidadeAC #Editorial #NovasVozes #EscreverComSentido #AlbertoCarvalho #Literatura #Opinião

  • Está a nascer a Comunidade AC.

    Está a nascer a Comunidade AC. Novas vozes. Novas rubricas. Novos olhares sobre o país e o mundo. Do silêncio do Frei Lourenço às praças da Maria do Rio, das análises de Helena Vale aos olhares jovens do Caderno das Duas, este é um espaço aberto a quem quer pensar e escrever com sentido. 📬 Quer fazer parte? Envie-nos a sua proposta. 📅 Em breve, os primeiros textos. Está a nascer a Comunidade AC. #ComunidadeAC #NovasVozes #Rubricas #Política #Cultura #Sociedade

  • Texto de anúncio oficial — Site

    Está a nascer a Comunidade AC O Alberto Carvalho nunca escreveu sozinho — faltava era dar rosto a quem o acompanha. A partir de hoje, a casa abre-se a novas vozes, cada uma com a sua maneira de olhar, pensar e escrever. Chamámos-lhe Comunidade AC. Aqui, vai encontrar quem desenha mapas de políticas públicas e quem prefere as praças da cidade; quem escreve a partir de um claustro imaginário e quem observa o mundo a partir do recreio da escola. São vozes diferentes, mas com uma mesma intenção: pensar o país, cuidar da palavra e não deixar passar o que é importante. Nos próximos dias, conhecerá melhor cada uma: Alberto Carvalho — Caderno Aberto: crónicas literárias sobre política, cultura e sociedade. Helena Vale — Mapa de Coisas Sérias: análises claras e rigorosas sobre políticas públicas e impacto social. Frei Lourenço de Santa Clara — Pequenos Tratados do Invisível: reflexões éticas e espirituais sobre a vida pública. Maria do Rio — Caderno da Praça: crónicas da cidade e das suas pequenas histórias. Caderno das Duas — Coisas que Ainda Não Cabem nos Testes: olhares jovens e genuínos sobre a vida escolar e a amizade. A porta está aberta. Se também tem uma voz que quer partilhar, conte-nos. Este espaço é feito de palavras — e as suas também podem ter lugar aqui. Comunidade AC — Novas Vozes #ComunidadeAC #NovasVozes #AlbertoCarvalho #Rubricas #Política #Cultura #Sociedade

  • A Constituição e o Limiar

    Segurança é uma casa com portas e fundamentos - não se ergue derrubando a família. Há dias em que um país precisa de se ouvir a si próprio. O despacho do Tribunal Constitucional foi um desses momentos. Não trouxe fogo-de-artifício; trouxe coisa mais rara: um limite. Disse, com a calma dos textos que nos sobrevivem, que a lei dos estrangeiros, tal como saiu do Parlamento, atravessou linhas que a própria República desenhou para se proteger de si mesma. Não se trata de gostar ou não gostar de uma política: trata-se de saber se a vontade do dia cabe na moldura maior do direito. Responderam-lhe, de imediato, com estrépito: “incompreensível”, “espírito de esquerda”, “nenhum direito familiar se sobrepõe à segurança do país”. A fórmula é eficaz porque apela ao instinto — mas é precisamente quando o instinto grita que a Constituição deve falar. E o que ela diz, aqui e em qualquer democracia digna desse nome, é simples: a segurança nacional não vive contra a família, vive com ela. Um Estado que se declara forte por negar a unidade familiar anuncia, sem perceber, uma fragilidade mais funda: a de já não saber para que serve o próprio poder. A família não é um adorno humanitário das leis: é um ponto de apoio. Antes de ser consagrada em códigos, existia na experiência elementar de proteger os pequenos, amparar os velhos, reconhecer no outro um vínculo que não é opção de ocasião. Por isso, as constituições — a nossa e as que nos são comparáveis — erguem a família como bem a resguardar, mesmo quando o tema é migração, fronteira, ordem. Não por ingenuidade, mas por prudência: separar à força o que a vida juntou é receita antiga para gerar desespero, violência e, ironicamente, insegurança. O Tribunal não discutiu se o país deve controlar entradas, avaliar pedidos, exigir documentos. Discutiu outra coisa: como o faz. O “como” é a gramática que distingue a força justa da força bruta. É aqui que mora a diferença entre um Estado que governa e um Estado que domina. Se o “como” atropela garantias — prazos sem defesa, recursos esvaziados, reagrupamentos tratados como favor — a lei falha o exame da própria República. E falha por uma razão que deveria unir, não dividir: ninguém é mais seguro num país que desvaloriza a palavra família, porque amanhã será outro direito a ceder ao medo da hora. Fala-se, entretanto, em “invasão silenciosa”. O termo é hábil: dá à inquietação uma imagem total e, por isso, dispensadora de pensar. Mas o ofício de governar — e de legislar — é precisamente o contrário: é recusar atalhos fáceis quando está em causa a estrutura que nos mantém juntos. Uma fronteira pode ser vigiada com rigor sem que, por isso, se empobreça a proteção de quem já vive connosco. Um processo administrativo pode ser firme sem ser cego. A autoridade pode dizer “não” sem precisar de humilhar, e pode dizer “sim” sem trair o país. Convém também marcar outro ponto, tantas vezes deturpado: o Tribunal Constitucional não é um “partido togado”, é um travão deliberado. A democracia madura instalou travões não por desconfiança da vontade popular, mas por respeito à sua própria volatilidade. O voto decide rumos; a Constituição fixa fronteiras éticas e jurídicas para que, na pressa, não desfiguremos a casa. Mudar a Constituição porque um acórdão não agrada é confundir projeto com impulso. E um país que confunde projeto com impulso acorda sempre mais pobre do que se deitou. Talvez a pergunta decisiva seja esta: que espécie de segurança desejamos? A que se contenta com números de expulsões e portas trancadas, ou a que mede a sua solidez pelo modo como trata famílias reais, com crianças que amanhã sentarão numa carteira ao lado das nossas? A primeira é fácil de anunciar e difícil de sustentar. A segunda é exigente: pede meios, pede inteligência administrativa, pede tempo — e pede, sobretudo, a coragem de não transformar medo em doutrina. A decisão do Tribunal e o veto presidencial não aboliram a ideia de fronteira nem a necessidade de ordem; obrigaram-nos a reescrever o como. Isso é política em estado adulto. A lei volta ao Parlamento. Cabe agora aos seus autores provar que conseguem proteger o país sem diminuir a sua própria estatura. Se conseguirem, ganhamos todos: as forças de segurança com regras claras; as famílias com direitos reconhecidos; a sociedade com paz social que não é apenas ausência de crime, mas presença de justiça. A grandeza de uma Constituição vê-se nos dias difíceis. Hoje pediu-se ao país que olhasse para o limiar: o sítio onde a casa recebe quem chega, sem esquecer quem já cá está; o sítio onde a autoridade se afirma não por gritar mais alto, mas por cumprir o que prometeu ser. É aí que se mede uma nação: no modo como defende sem desumanizar, e no modo como acolhe sem desistir de se proteger. AC Balança da Justiça sobre um fundo cinzento, representando a imparcialidade e a força do Estado de Direito. #Constituição #EstadoDeDireito #TribunalConstitucional #Política #Imigração #DireitosHumanos

  • O Pianista de 3 Anos que Conquistou uma Orquestra

    Barron Cheng: o pianista de três anos que encantou uma orquestra Há histórias que nos lembram que o talento não conhece idade. Barron Cheng tem apenas três anos, mas já viveu o que para muitos músicos é um sonho distante: tocar com uma orquestra num grande palco. Começou a aprender piano aos dois anos e, desde então, a música tornou-se a sua segunda língua. No Hong Kong City Hall, sentado diante de um piano quase maior do que ele, Barron interpretou o “Love Theme”, da compositora Catherine Rollin, com uma serenidade e expressividade que comoveram plateia e músicos. A sua professora, Shirley Lo, fala de uma audição perfeita e de uma afinidade natural com a música — mas também de um cuidado especial para que a infância de Barron seja tão harmoniosa quanto as notas que toca. Entre as teclas e a ternura de quem ainda descobre o mundo, Barron Cheng mostrou que, às vezes, o génio chega de pés pequenos, mas com um som capaz de encher um auditório inteiro. AC A orquestra ao fundo, captando o momento da performance no Hong Kong City Hall. #BarronCheng #Piano #Prodígio #MúsicaClássica #Orquestra #CatherineRollin #Talento #HongKong

bottom of page