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A pergunta que os 250 anos dos EUA não querem responder
Os grandes aniversários nacionais deveriam confrontar os ideais fundacionais com a realidade vivida. Cada vez mais, porém, é a ficção distópica — não a história nem os discursos oficiais — que consegue nomear com precisão a ansiedade do presente. Isso diz algo sério sobre a capacidade cívica que se perdeu pelo caminho.
3 min de leitura


O mercado político do ódio útil
A política portuguesa aprendeu a transformar frustração material em identidade negativa. Entre o Chega, a polarização afetiva e a suspeita sobre os pobres, o ódio tornou-se um recurso útil: barato, mobilizador e administrável.
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O Homem que Escreveu ao Destinatário Errado
Há uma fotografia que não existe. Nela, um homem sentado numa sala lê uma carta que outro homem escreveu para ele. O homem que lê é Vladimir Putin. No rosto de Putin não se lê nada de útil — há vinte e seis anos que não se lê nada de útil.
7 min de leitura


A rua e o que ficou por mudar
Quando uma cidade muda o nome de uma rua, corrige um símbolo. Nem por isso corrige o mecanismo que tornou esse símbolo possível. O caso de César Chávez obriga a uma pergunta menos visível e mais difícil: o que é que os movimentos fazem às pessoas que dependem deles quando a coesão da causa passa a valer mais do que a verdade dita a tempo?
5 min de leitura


A Política Como Técnica de Domínio
A gestão da pandemia mostrou como a tecnocracia moderna se legitima pela promessa de controlo racional. A questão não é abandonar a razão, mas reconhecer os seus limites políticos.
4 min de leitura


Transparência como arma
A divulgação dos ficheiros Epstein foi apresentada como um acto de transparência. Mas a forma como foi feita — expondo sistematicamente as vítimas enquanto protege a elite envolvida — sugere outra coisa: uma operação política com cara de virtude. Quando a transparência escolhe o que ilumina e o que deixa na sombra, deixa de ser transparência.
8 min de leitura


A máquina que não obedece
A política moderna prometeu controlo racional. Pandemias, crises e clima mostram o limite: a sociedade não obedece como máquina. A falha é de promessa — e de legitimidade.
9 min de leitura


O Silêncio da Primeira-Dama Americana
Durante vinte dias, a política surge menos como decisão e mais como preparação. Entre provas de roupa, reuniões discretas e gestos calculados, constrói-se uma narrativa onde o poder não se exerce por decreto, mas por enquadramento. O filme não explica Melania Trump — mostra o método através do qual a imagem se torna linguagem política.
3 min de leitura


A Primeira-Dama Americana e a Encenação do Poder
Não governa, não legisla, não decide — mas enquadra. A primeira-dama americana ocupa um lugar onde o poder não se exerce por autoridade formal, mas por imagem, gesto e coreografia. Neste espaço ambíguo, a política transforma-se em encenação e o silêncio ganha função estratégica.
3 min de leitura


O Cansaço da Autoridade
A aprovação desce para 37% e o número, visto num ecrã de telemóvel, já não provoca choque — apenas confirma um estado. O que se desgasta não é só a popularidade de Donald Trump, mas a folga do poder executivo num país que aprendeu a viver em conflito. Quando a confiança se retrai, governar não se torna impossível. Torna-se mais caro, mais rígido e mais reativo.
5 min de leitura


A Presidência Não é um Troféu
Nesta segunda volta, o voto não decide só um rosto. Decide o que fazemos do cargo: árbitro discreto ou megafone de facção. Há um candidato que já anunciou não querer ser Presidente de todos — e isso transforma Belém num teste de resistência institucional. O país não está a escolher uma fotografia; está a escolher o tipo de silêncio, de pressão e de poder que aceita a partir de amanhã.
6 min de leitura


O Silêncio de Junho
Na China, 4 de Junho não é só memória proibida. É viragem estrutural: o ponto em que a fiscalização pública se tornou intolerável e o silêncio passou a ser método.
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A Economia da Permissão
Antes do produto há licença. Antes do investimento há assinatura. Numa economia de tutela, a permissão vira capital — e o mercado torna-se um modo de governação.
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Linhagem de Acesso
A aristocracia chinesa não usa coroas: usa corredores. Quando autorização é recurso raro, a linhagem transforma-se em vantagem económica e em seguro político — com um custo moral crescente.
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O Silêncio Que Já Não Obedece | Irão
Durante décadas, o regime iraniano aprendeu a governar não apenas com força, mas com rituais, símbolos e silêncio. Hoje, esse silêncio começa a rachar. Nas ruas, nos funerais e nas noites sem nome, algo mudou — não ainda uma alternativa clara, mas a recusa crescente em continuar a obedecer.
6 min de leitura


Tigres e Moscas: Disciplina e Medo
Na China, a luta contra a corrupção é também uma técnica de governo. Ao punir, o Partido reorganiza hierarquias, reforça o centro e protege a fonte do problema: a ausência de fiscalização independente.
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Templo Maçónico de Santa Cruz avança para “Lugar de Memória Democrática”
O BOE publicou a abertura do procedimento para reconhecer o Templo Maçónico de Santa Cruz de Tenerife como Lugar de Memória Democrática. O Governo espanhol e o município assinaram um protocolo para investigação, divulgação e recuperação de espólio espoliado.
2 min de leitura


A Metáfora Vigiada
Um retrato feito de mecanismos pequenos — categorias, cartazes, autocríticas — onde a vida se reorganiza à volta do medo de dizer “a frase errada”. Entre objetos guardados, memórias dispersas e fronteiras sem placa, o texto segue a forma como o poder aprende a governar pelo detalhe.
6 min de leitura


A Religião do PIB
O crescimento foi, durante décadas, a linguagem de legitimidade do poder chinês. Mas quando a promoção depende de metas, o PIB deixa de ser indicador e passa a ser critério moral — e o sistema começa a produzir distorções, zonas cinzentas e medo administrativo.
6 min de leitura


O Futuro Não Eleito da Inteligência Artificial
Num Senado habituado a discursos decorativos, Bernie Sanders fez outra coisa: perguntou quem controla a inteligência artificial, quem perde com ela e por que razão o futuro está a ser decidido sem eleições.
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