Lily padding: a Geração Z
LILY PADDING: A GERAÇÃO Z TROCOU A ESCADA POR NENÚFARES
Nos últimos treze anos, Simone Stolzoff passou pelas vendas numa empresa de publicidade digital, pela comunicação de uma startup alimentar, pelo design num estúdio e pela redação de uma revista. Trabalhou depois como jornalista freelancer, antes de chegar à função atual. Algumas mudanças trouxeram-lhe um salário inferior ao anterior. Ao Financial Times, explicou que deixou de imaginar a carreira como uma escada e passou a vê-la como uma sucessão de nenúfares, entre os quais se pode saltar sem seguir sempre na mesma direção.
Um trabalhador da Geração Z muda de emprego, em média, a cada 1,1 anos
A mudança frequente de emprego tornou-se uma escolha deliberada para muitos trabalhadores jovens num mercado instável. Entre responsáveis de recursos humanos, o comportamento já recebeu um nome: lily padding. A pessoa passa de uma organização ou de um setor para outro, por vezes lateralmente, e acumula competências em vez de antiguidade dentro da mesma empresa.
Um inquérito global da agência de recrutamento Randstad, divulgado em 2025, calculou que um trabalhador da Geração Z permanece, em média, 1,1 anos no mesmo posto durante os primeiros cinco anos de carreira. Entre os millennials, a média é de 1,8 anos. Nas gerações anteriores, aproxima-se dos três.
Izzy Clements, de 30 anos, trabalhava em vendas quando decidiu passar para as áreas de eventos e marketing da mesma empresa. Aceitou uma redução salarial e foi promovida oito meses depois. Disse ao FT que, ao chegar aos trinta anos, procurava «uma carreira com mais realização». Admite voltar a mudar de setor ou de empresa quando encontrar uma possibilidade que lhe interesse mais.
Na consultora EY, o investimento em dias de formação aumentou. A empresa criou também uma ferramenta de inteligência artificial destinada a ajudar os funcionários a atualizar competências. Dan Black, responsável global de estratégia de talento, relacionou estas medidas com a necessidade de continuar a oferecer perspetivas a trabalhadores que não hesitam em sair quando deixam de ver possibilidades de progressão.
A Lush adotou outra solução. A marca britânica de cosmética mantém um banco interno de projetos de curta duração, no qual os trabalhadores podem experimentar funções diferentes sem abandonar a empresa. Karen Blackburn, responsável de talento, contou ao mesmo jornal que alguns dos que saem acabam por regressar, trazendo novas competências e procurando áreas mais próximas dos seus interesses.
Sander van ’t Noordende, presidente executivo da Randstad desde 2022, chamou-lhes carreiras de portefólio. O percurso deixa de depender de uma sucessão previsível de promoções dentro da mesma estrutura. Pode incluir mudanças laterais, interrupções e experiências que só mais tarde revelam utilidade.
Danielle Nicholson, coach de carreira de 29 anos, em Detroit, vê o fenómeno a partir da insegurança económica. Descreveu o lily padding como uma tentativa de «recuperar um pouco de poder numa economia brutal». Muitos jovens já não esperam que uma empresa lhes assegure estabilidade durante décadas. Mudam de posto e procuram reunir as competências de que poderão precisar quando o emprego seguinte também terminar.
Para alguns, esta mobilidade alarga escolhas e permite corrigir cedo um percurso que deixou de fazer sentido. Para outros, o nome suaviza uma rotatividade que lhes foi imposta pelo mercado. As empresas falam em diversificação, aprendizagem e crescimento contínuo; Nicholson chama a atenção para uma economia em que os trabalhadores sabem que podem ser dispensados.
O inquérito da Randstad não permite decidir quanto há de escolha ou de necessidade em cada mudança. Mostra que, nos primeiros anos de carreira, os trabalhadores da Geração Z ficam pouco mais de um ano no mesmo posto.





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