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Correia da Serra Deixa a América
O baú já está fechado desde as sete da manhã, mas Correia voltou a abri-lo duas vezes — uma para tirar um lenço que afinal não precisava, outra sem razão nenhuma, só para ver se ainda cabia tudo. Fecha-o pela terceira vez. A fivela da esquerda não prende bem; nunca prendeu.
Jefferson vem ao encontro dele no caminho de cascalho, sem chapéu, como se tivesse saído a meio de qualquer coisa. Não fala logo. Olha para o baú amarrado ao carro, depois para Correia, e diz que o tempo e
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A negociação começou sem nós | Cartoon
A agenda está preparada. As propostas também. Mas há negociações em que o verdadeiro atraso não se mede em minutos.
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Portugal no vocabulário pessoal de Trump
Donald Trump disse que “adora Portugal” num vídeo divulgado pela embaixada norte-americana em Lisboa. Mas a mensagem revela mais do que simpatia: mostra uma diplomacia narrada através de escolhas pessoais, lealdades, estatuto e proximidade ao presidente americano.
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Robert D. Kaplan: quarenta anos a decifrar o mundo pelo mapa
Antes de influenciar Washington, Robert D. Kaplan era um repórter que preferia o terreno às capitais. Da fome na Etiópia ao Estreito de Taiwan, construiu ao longo de quarenta anos uma leitura do mundo em que o mapa nunca deixou de decidir o destino dos Estados — e onde o custo pessoal de errar, como reconheceu a propósito do Iraque, nunca ficou de fora da equação.
9 min de leitura


Waste Land: A World in Permanent Crisis — recensão
Robert Kaplan argumenta que o mundo inteiro se tornou Weimar — conectado o suficiente para que uma crise se propague, mas fragmentado demais para se governar. Uma leitura sobre ordem, declínio e a política do trágico.
2 min de leitura


Como a Indústria do Kratom Capturou Washington
A questão de saber se o kratom é perigoso deixou de ser relevante para o processo político americano. O que é relevante é quem paga e quem conhece quem. O que este caso revela não é corrupção individual — é um modelo de governação em que a captura regulatória é uma funcionalidade, não um risco.
6 min de leitura


O Mundial e os países que já não cabem no futebol
O Mundial de 2026 não é apenas uma festa do futebol. Expõe países que já não sabem transformar população em povo. O estádio vazio torna-se sinal de uma crise de pertença.
11 min de leitura


O Mundial e o medo antes da viagem
Num café de bairro, uma frase sobre o México basta para mostrar como uma narrativa pode viajar mais depressa do que os factos. Entre futebol, medo, turismo e redes digitais, o Mundial de 2026 revela que os grandes eventos também se disputam nas histórias que chegam antes das pessoas.
6 min de leitura


O que um aliado não diz
Num edifício em Kiryat Gat há dois andares que nunca se falam. Um para trabalhar juntos. Outro para guardar segredos. O edifício foi construído assim de propósito. Toda a gente sabe que existe o outro andar. Ninguém fala nisso.
5 min de leitura


Netanyahu e o Desmantelamento da Democracia Israelita
Na manhã de 26 de março, dois jactos descolaram de Telavive para os Emirados. Os registos de voo confirmavam a viagem. O governo israelita anunciou-a. Os Emirados desmentiram-na. O antigo porta-voz de Netanyahu descreveu-a com entusiasmo. As três versões coexistiam. É nesse espaço — entre o que se faz e o que se reconhece — que Netanyahu tem governado: na diplomacia secreta, na erosão judicial, numa guerra que serve para mais de um fim.
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A Rússia no Sistema Chinês
Enquanto o Ocidente continua concentrado nas crises imediatas, a China trabalha noutra escala: energia, corredores terrestres, infraestruturas e administração paciente de dependências. A chegada de Putin a Pequim revela menos uma aliança ideológica do que uma alteração silenciosa do equilíbrio internacional.
4 min de leitura


O Homem Que Queria Gostar do Imperador
Trump saiu de Pequim com poucos resultados concretos. Xi ofereceu-lhe a cerimónia, a distância e a sensação de reconhecimento. O encontro revelou menos uma vitória diplomática do que a vulnerabilidade de uma política externa movida pela relação pessoal.
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Guerra do Irão: 32 milhões sem voz em Islamabade
O nitrato de amónia viaja por navio. Quando o Estreito fecha, a estação agrícola perde-se. O PNUD estima que até trinta e dois milhões de pessoas possam cair na pobreza. Nenhuma delas tem assento em Islamabade. Esse custo não tem linha nos acordos que forem assinados.
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Irão - O cenário perfeito foi perfeito uma vez. Desta não.
Trump viu na Venezuela uma regra. Esse foi o erro inicial. O que acontecera em Caracas era uma coincidência rara de circunstâncias favoráveis que não existiam em Teerão. O modelo exigia alguém semelhante a Delcy Rodríguez. A realidade entregou Vahidi e Zolghadr.
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O país que não recebia armas tornou-se fornecedor dos que as tinham
A mesma guerra que reduziu o armamento à Ucrânia criou-lhe um mercado que não depende dos Estados Unidos para existir. O país que não recebia Patriot suficientes tornou-se fornecedor dos países que os tinham. O drone é o produto. A relação com o Golfo é o investimento.
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Guerra do Irão: o que as bases dos EUA não protegem
Guerra do Irão: o que as bases dos EUA não protegem. Quando o Irão fechou o Estreito de Ormuz em 2026, os países do Golfo com bases militares americanas descobriram que acolher uma base não equivale a proteção. Os Emirados foram os mais atacados. A hierarquia das alianças — com Israel no topo, os aliados do Golfo abaixo — tornou-se visível pela primeira vez. Portugal conhece este mecanismo desde 1973, quando as Lajes serviram a ponte aérea americana a Israel e o embargo árabe
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Porque é que tantas séries americanas falam de desigualdade?
Os membros do country club pertencem às gerações mais velhas; os funcionários, às mais novas — e por mais que trabalhem, nunca serão membros. A televisão americana não chegou ao tema da classe por opção: chegou por esgotamento das alternativas. Quando a ficção de massa já não consegue evitar esta fratura, está a registar algo sobre o país que descreve.
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