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Netanyahu e Eisenkot: o que pode mudar na segurança

há 1 dia
5 min de leitura

Os dois defendem o fim do poder militar do Hamas. A disputa envolve também quem governará Gaza, como se investigam as falhas de 7 de outubro e que alianças permitirão executar uma política de segurança.


Gadi Eisenkot assumiu um prazo: se chegar a primeiro-ministro, o Hamas deixará de governar Gaza em 18 meses. Apresentou esse compromisso em 15 de outubro.


Para o cumprir, admitiu duas vias: executar o plano promovido por Donald Trump ou recorrer a operações militares israelitas. A promessa inclui destruir a capacidade militar do movimento.


Capa com lugares de uma assembleia em semicírculo e o título Netanyahu e Eisenkot: o que pode mudar na segurança, com Atlantic Lisbon ao centro.
Uma assembleia dividida em blocos, numa composição sobre política de segurança e alianças. Composição original Atlantic Lisbon, criada por código, sem geração de imagem por IA. CC0.

Ambos defendem o desarmamento do Hamas. Eisenkot acrescenta um prazo para o afastar do governo de Gaza.


Nas eleições de 27 de outubro, essa disputa será decidida através de partidos e de acordos parlamentares. Os israelitas elegem os 120 deputados da Knesset; uma maioria de 61 lugares exige a associação de várias forças políticas. O programa de segurança do próximo Governo dependerá também das condições impostas pelos seus parceiros.


Gaza exige uma transferência efetiva de poder


O plano norte-americano permite perceber o que está contido na promessa de retirar o Hamas do governo. Na versão divulgada em setembro de 2025, prevê uma administração palestiniana tecnocrática e transitória, supervisionada por um organismo internacional presidido por Trump, o Conselho de Paz. Exclui qualquer participação do Hamas na governação, incluindo uma influência indireta.


Para a segurança, prevê uma força internacional de estabilização, apoio a polícias palestinianas e um processo de desmilitarização sujeito a verificação independente.


Donald Trump e Benjamin Netanyahu sentados no Salão Oval, com Jared Kushner entre ambos, a examinar um documento sobre Gaza.
Donald Trump e Benjamin Netanyahu examinam o plano norte-americano para Gaza, na Casa Branca, em 29 de setembro de 2025. Fotografia de arquivo: Daniel Torok / Casa Branca. Domínio público. Fonte: galeria oficial da Casa Branca · Domínio público

Em janeiro de 2026, a Casa Branca anunciou a formação do Comité Nacional para a Administração de Gaza, dirigido por Ali Shaath. Atribuiu-lhe a recuperação dos serviços públicos e das instituições civis. Anunciou igualmente uma estrutura de supervisão internacional e um comandante para a força de estabilização.


Em meados de outubro, porém, o comité continuava sem operar dentro de Gaza. O Hamas não tinha concretizado o desarmamento e Israel não tinha iniciado a correspondente retirada.


Retirar o Hamas do governo implica colocar outra administração em condições de prestar serviços e exercer autoridade, além de resolver o destino das suas armas. O candidato admite executar o plano de Trump e conservar uma intervenção das forças de segurança israelitas na desmilitarização. Não apresentou, nessa intervenção, um calendário público detalhado para cada uma dessas operações.


Militares e visitantes civis observam um espaço de coordenação com computadores e ecrãs no centro de Kiryat Gat.
Visita de membros do Congresso dos EUA ao Centro de Coordenação Civil-Militar, em Kiryat Gat, em janeiro de 2026. Imagem de contexto, distinta da futura força de estabilização. Kathryn Skonning / U.S. Army / DVIDS. Domínio público. Fonte: DVIDS, fotografia 9499799 · Condições de reutilização. A utilização desta imagem não implica apoio do Departamento da Guerra dos EUA ao Atlantic Lisbon ou a qualquer candidato.

Netanyahu reiterou, em 18 de outubro, que não permitirá a reconstrução antes do desarmamento do Hamas e da desmilitarização do território. Acrescentou que Israel realizará a missão se a comunidade internacional não disponibilizar uma força capaz de a executar.


Segurança: A doutrina militar e a investigação das falhas


A doutrina divulgada pelo gabinete de Netanyahu em 18 de outubro dá prioridade à prevenção e à iniciativa ofensiva, incluindo ataques antecipados contra ameaças em formação. O documento apresenta estes princípios como uma resposta às falhas expostas pelo ataque de 7 de outubro de 2023.


Eisenkot contestou a consistência dessa apresentação e comprometeu-se a aprovar uma estratégia nacional de segurança nos primeiros 150 dias de um Governo seu. A divergência envolve a definição dos objetivos políticos que devem orientar as operações, os meios necessários e a avaliação dos resultados.


O antigo chefe militar apresentou uma proposta institucional mais imediata: criar uma comissão estatal de inquérito ao 7 de outubro nas primeiras duas semanas de mandato. Defendeu que a investigação das falhas e a aplicação das conclusões são necessárias para prevenir outro desastre.


Netanyahu continua a defender uma comissão cuja composição resulte de nomeações políticas. A diferença sobre o inquérito diz respeito ao modo de apurar responsabilidades e de produzir as conclusões que servirão de base à revisão da segurança.


Segurança: A alternativa mantém limites na questão palestiniana


Eisenkot apresenta-se como uma alternativa ao Governo sem propor, no horizonte próximo, a criação de um Estado palestiniano. O levantamento das posições partidárias publicado pelo Israel Policy Forum identifica no Yashar a defesa do controlo de segurança israelita entre o Jordão e o Mediterrâneo, acompanhada da oposição a políticas que provoquem o colapso da Autoridade Palestiniana ou coloquem milhões de palestinianos sob administração israelita.


Um estudo do instituto de investigação PRIF assinala que partidos da oposição dirigidos por judeus israelitas reclamam uma atuação militar contra a violência de colonos, ao mesmo tempo que mantêm fortes reservas quanto à criação de um Estado palestiniano.


O mesmo estudo identifica na oposição a intenção de recuperar relações com a Europa, acompanhada pela relutância em aceitar uma solução de dois Estados. Uma eventual mudança de Governo poderá, assim, alterar a condução diplomática sem satisfazer as condições políticas defendidas por parceiros europeus.


Quanto ao Irão, o Israel Policy Forum identifica entre as prioridades de Eisenkot impedir a obtenção de uma arma nuclear e manter uma estreita coordenação estratégica com os Estados Unidos.


As alianças necessárias para governar


Eisenkot reúne apoios num espaço político que vai do centro à direita secular, com parceiros que divergem em matérias territoriais e diplomáticas. A convergência na oposição a Netanyahu não elimina essas diferenças.


Há ainda um obstáculo parlamentar. Eisenkot tem excluído acordos de governo com partidos árabes, embora as sondagens indiquem que o seu bloco poderá precisar do apoio dessas forças, dentro ou fora de uma coligação, para viabilizar um executivo.


Em Gaza, o prazo de 18 meses anunciado por Eisenkot dependerá de uma administração capaz de assumir funções no território e de um acordo sobre o desarmamento do Hamas e a retirada israelita.


Fontes institucionais








Declarações e acompanhamento jornalístico






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