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Yoseph Haddad: rabinos dividem direita de Israel

18 de set.
2 min de leitura

Ofer Winter passou a maior parte da vida a comandar soldados. Em agosto, o general na reserva trocou o uniforme por uma lista eleitoral e chamou-lhe People of Israel — Amcha Yisrael, no hebraico original. A promessa era simples: trazer para a Knesset gente que não estivesse associada às falhas políticas e de segurança à volta de 7 de outubro. No lançamento, em Jerusalém, quem mais se destacou não foi Winter, mas o segundo nome da lista.



Yoseph Haddad, ativista árabe-israelita e segundo nome da lista de Ofer Winter
Yoseph Haddad, ativista árabe-israelita e segundo nome da lista de Ofer Winter


Yoseph Haddad é ativista árabe-israelita, cristão ortodoxo, nascido em Haifa e criado em Nazaré. A família não deixou as suas terras em 1948; continua a possuí-las em Jish. Serviu nas Forças Armadas, ficou ferido na Brigada Golani e fundou a organização Together, dedicada a integrar árabes israelitas na sociedade do país. Tornou-se, nos últimos anos, uma das vozes mais visíveis a defender Israel em plataformas internacionais.


Para Winter, pôr Haddad em segundo lugar reforça o argumento central do partido: que a lealdade ao Estado, não a origem, deve decidir quem lidera. No início de setembro, essa leitura chocou com outra, vinda de dentro do próprio campo religioso-nacionalista a que o partido se dirige.


Questionado por alunos se a lei judaica permite votar numa lista cujo segundo lugar é ocupado por um não-judeu, o rabino Shlomo Aviner, presidente da Yeshivat Ateret Kohanim, respondeu que não. Citou as Leis dos Reis de Maimónides e distinguiu entre a relação pessoal com um não-judeu e a atribuição de um cargo de liderança nacional. «Um amigo não-judeu deve ser bem tratado, se preencher a definição de ger toshav, mas não lhe pode ser dado um cargo de liderança sobre a nação», disse. Mesmo um «justo entre as nações», acrescentou, não pode liderar na Terra de Israel. «Pode ser um cidadão privado, sim, mas não como líder.»


A organização rabínica Tzohar respondeu no mesmo dia. Citou autoridades halákhicas anteriores, incluindo o antigo rabino-chefe Isaac Herzog e o rabino Eliezer Waldenberg, que já haviam determinado ser permitido eleger não-judeus para a Knesset. Sobre Haddad em particular, disse tratar-se de «uma pessoa que fez e continua a fazer muito pelo Estado de Israel», lembrando que ficou ferido a defendê-lo durante o serviço militar. Nomear e promover pessoas assim, concluiu a organização, «não contradiz a identidade judaica de Israel».


No dia seguinte, o rabino Elyakim Levanon, rabino-chefe de Samaria, declarou à rádio Kan Reshet Bet: «Não sou a favor de votar em pequenos partidos, mas do ponto de vista halákhico, é permitido, e pode votar-se em Yoseph Haddad.»


O próprio Winter reagiu às declarações de Aviner, rejeitando-as publicamente, sem que a cobertura disponível registe as suas palavras exatas.


O episódio não decide sozinho o destino eleitoral do People of Israel, que continua a oscilar à volta do limiar de 3,25% consoante a sondagem. A eleição está marcada para 27 de outubro.



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