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Correia da Serra Deixa a América
O baú já está fechado desde as sete da manhã, mas Correia voltou a abri-lo duas vezes — uma para tirar um lenço que afinal não precisava, outra sem razão nenhuma, só para ver se ainda cabia tudo. Fecha-o pela terceira vez. A fivela da esquerda não prende bem; nunca prendeu.
Jefferson vem ao encontro dele no caminho de cascalho, sem chapéu, como se tivesse saído a meio de qualquer coisa. Não fala logo. Olha para o baú amarrado ao carro, depois para Correia, e diz que o tempo e
4 min de leitura


D. João VI: Um Rei Sozinho à Janela
A gordura escorria-lhe entre os dedos e ele lambia-a devagar, um dedo de cada vez, como quem repete um gesto que já não precisa de pensar. A coxa de galinha, roída até ao osso, estava pousada ao lado do prato.
9 min de leitura


Pessoa, a IA e o problema de saber quem escreve
Fernando Pessoa criou vozes capazes de sustentar uma identidade inteira. Um século depois, sistemas de inteligência artificial escrevem romances em minutos — mas ainda tropeçam onde Pessoa parecia não tropeçar: na continuidade de uma voz.
7 min de leitura


O que sobra de uma tarde
Era dezassete e quarenta e dois quando ele bateu à porta. Amélia tinha quarenta e seis entradas para verificar e uma certidão que não podia emitir naquele dia. O antigo aluno precisava do papel para segunda-feira, a mãe morrera em março, a entrevista era urgente. Ela conhecia o procedimento de cor. O que não conhecia — e recusou conhecer até ao fim — era a razão por que o gesto dele com o casaco lhe ocupou a cabeça durante quarenta minutos de trabalho que fez sem um erro.
7 min de leitura


A Mãe que Guardava o Sol
Ela nunca gritou — porque aprendeu a guardar o sol dentro do peito.
2 min de leitura
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