Em Mecklemburgo-Pomerânia, CDU cai a zero e AfD faz história
Atualizado: 22 de set.
A União Democrata-Cristã obteve este domingo 4,9 por cento dos votos em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a pior votação da sua história no estado. Ficou abaixo do limiar de 5 por cento exigido para entrar no parlamento regional e perdeu todos os seus deputados em Schwerin. Nunca tinha ficado fora do Landtag desde que o estado adquiriu a configuração atual.
O que mudou nas eleições de Mecklemburgo-Pomerânia e Berlim
Foi neste território que Angela Merkel iniciou o percurso político que a levaria a dezasseis anos como chanceler. A CDU que ela dirigiu é hoje liderada por Friedrich Merz.
A Alternative für Deutschland venceu com 38,2 por cento dos votos e conquistou 32 dos 71 lugares do Landtag. Ganhou mais de 21 pontos percentuais em relação a 2021 e tornou-se o primeiro partido de extrema-direita a vencer uma eleição regional na Alemanha.
O Partido Social-Democrata, que governava o estado em coligação com Die Linke sob a liderança da ministra-presidente Manuela Schwesig, ficou em segundo lugar, com 35,5 por cento. A afluência às urnas chegou aos 78,1 por cento, mais de sete pontos acima da eleição anterior.
Berlim também foi a votos no domingo. Die Linke venceu na capital com 25,7 por cento, uma subida superior a treze pontos em relação a 2023, e tornou-se pela primeira vez a força mais votada na cidade.
A CDU de Kai Wegner, que governava Berlim em coligação com o SPD desde 2023, desceu de 28,2 para 18,8 por cento. Perdeu 24 dos 52 lugares que detinha. A AfD ficou em terceiro, com 16,3 por cento, mais de sete pontos acima do resultado anterior.
Os vencedores foram diferentes. No antigo Leste, ganhou a AfD; na capital, Die Linke. A CDU perdeu uma parte significativa do eleitorado nas duas eleições. A derrota surgiu duas semanas depois de a AfD alcançar outro resultado histórico, a 6 de setembro, nas eleições regionais da Saxónia-Anhalt.
Merz falou ainda na noite eleitoral, na sede da CDU em Berlim. «Não podemos adoçar o resultado em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental», disse. «É um desastre. A CDU lutou muito, mas, no final, foi esmagada na polarização entre o SPD e a AfD.»
No dia seguinte, durante uma reunião com os dirigentes do partido, afirmou que continuaria no cargo. Segundo Merz, ninguém tinha questionado a sua liderança «nem ontem à noite, nem esta manhã».
Recusou também abandonar as reformas económicas em curso. Chamou-lhes «o antídoto para o veneno do autoritarismo, que está a penetrar cada vez mais fundo na nossa sociedade à medida que a fascinação pelo autoritarismo cresce». Acusou ainda «partidos radicais tanto à esquerda como à direita» de minarem ativamente a confiança nas instituições do país.
Alice Weidel, copresidente da AfD, declarou que o partido «ultrapassou a CDU» e que «as pessoas querem uma mudança de política». Considerou Merz «fortemente danificado» e questionou se a CDU poderia continuar a apoiá-lo enquanto chanceler. Tino Chrupalla, o outro copresidente, pediu a demissão de Merz.
Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a AfD propôs deportações em massa de migrantes indocumentados, o fim da ajuda militar alemã à Ucrânia e uma aproximação a Moscovo. O candidato do partido a ministro-presidente comparou esta orientação ao lema «América Primeiro» da administração Trump.
Uma parte importante da capacidade industrial de que a Alemanha precisa para se rearmar contra a Rússia encontra-se nas regiões do antigo Leste onde a AfD obtém alguns dos seus melhores resultados. Uma peça anteriormente publicada neste espaço sobre a ARX Robotics examinou essa coincidência geográfica.
Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental não tem o peso industrial de outros estados orientais. Tem agora, porém, um parlamento em que a AfD ocupa 32 dos 71 lugares. A CDU, que sempre estivera representada desde a criação do estado na sua forma atual, não elegeu nenhum deputado.





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