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Israel nos EUA: a erosão do apoio chega ao Senado

10 de out.
5 min de leitura

Atualizado: há 11 horas

No dia 7 de outubro de 2026, Israel assinalou pela primeira vez o aniversário do ataque do Hamas sem nenhum refém em Gaza. Nos Estados Unidos, a medição de fevereiro do Gallup tinha registado uma situação inédita: 41% diziam simpatizar mais com os palestinianos e 36% com os israelitas, uma diferença sem significado estatístico. Em fevereiro de 2023, meses antes do ataque, a relação era de 54% para 31% a favor dos israelitas. O capítulo dos reféns está encerrado em Israel. O saldo de simpatia por Israel nos EUA diminuiu, e a descida começou antes da guerra.


Israel nos EUA: uma mudança anterior à guerra


O Gallup situa por volta de 2017 o início da deslocação entre os democratas. Em 2016, cerca de metade simpatizava mais com os israelitas e cerca de um quarto com os palestinianos. Em 2026, são cerca de dois terços do lado palestiniano e cerca de dois em cada dez do lado israelita. Entre os mais novos, a inclinação vem de 2020. Este ano, os independentes passaram, pela primeira vez na série, a simpatizar mais com os palestinianos.


Capa do Atlantic Lisbon com o título «Israel nos EUA: a erosão do apoio chega ao Senado», sobre uma ilustração do Capitólio.
O apoio a Israel nos EUA diminuiu nas sondagens, enquanto cresceu no Senado a oposição às vendas de armamento. Ilustração editorial criada para o Atlantic Lisbon.

O saldo a favor de Israel era de 23 pontos em fevereiro de 2023 e de 13 em fevereiro de 2025, com 46% contra 33%. Em fevereiro de 2026, passou a cinco pontos contra. Entre as duas últimas medições, foram dez pontos a menos para os israelitas e oito a mais para os palestinianos. Esse intervalo cobre o cessar-fogo de outubro de 2025 e os meses seguintes, em que, segundo a Reuters, os ataques israelitas continuaram.


Cerca de sete em cada dez republicanos continuam a simpatizar mais com os israelitas, segundo o Gallup, quando antes da guerra eram cerca de oito em cada dez.


O Pew Research Center, num inquérito de março realizado durante a guerra do Irão, encontrou 57% dos republicanos e dos independentes próximos do partido entre os 18 e os 49 anos com uma opinião desfavorável de Israel, contra 50% um ano antes. Acima dos 50 anos, permanecem em grande maioria favoráveis. No conjunto dos americanos, 60% têm uma opinião desfavorável; entre os democratas e os independentes próximos do partido, são cerca de oito em cada dez.


Uma série mede simpatia, a outra mede opinião sobre o país, por isso não se somam. Mas apontam para o mesmo lado e incluem republicanos mais novos que uma explicação do apoio a Israel nos EUA centrada num só partido deixa por explicar.


Israel nos EUA: o Capitólio, sede do Congresso
O Capitólio dos Estados Unidos, em Washington. As votações do Senado mostram uma mudança no apoio parlamentar a vendas de armamento a Israel. Noclip, via Wikimedia Commons. Domínio público.

O descontentamento chega às votações do Senado


A 15 de abril de 2026, o Senado rejeitou duas moções para fazer avançar resoluções de Bernie Sanders destinadas a impedir a venda de bulldozers e de bombas a Israel, por 40 votos contra 59 e por 36 contra 63, sem um único republicano a favor. Quarenta dos 47 senadores do bloco democrata votaram para bloquear os bulldozers e 36 para bloquear as bombas, quando votações do mesmo tipo tinham reunido 27 votos em 2025 e 18 em 2024. Mark Kelly, Jon Ossoff, Elissa Slotkin, Cory Booker e Ruben Gallego estavam entre os que o fizeram pela primeira vez. Chuck Schumer ficou com a minoria.


No mesmo dia, o Senado rejeitou, por 47 votos contra 52, uma moção para fazer avançar uma resolução destinada a travar a guerra que Trump lançou com Israel contra o Irão em fevereiro, sem aprovação do Congresso. A AP leu as votações sobre armamento como um sinal de descontentamento com Netanyahu e com as guerras de Gaza e do Irão. Sanders ligou as duas votações de modo expresso, defendendo que quem vota contra a guerra não pode votar a favor das armas que a alimentam. Nos inquéritos consultados, não há uma medida de quanto pesa cada uma das duas guerras na decisão de senadores ou eleitores.


Israel nos EUA: retrato oficial do senador Bernie Sanders
Bernie Sanders, num retrato oficial de 2007. Em abril de 2026, promoveu as iniciativas para bloquear vendas de bulldozers e bombas a Israel. Congresso dos EUA, via Wikimedia Commons. Domínio público.

Depois do cessar-fogo de 10 de outubro de 2025, a Reuters descreve os combates de maior dimensão como interrompidos, mas não o fim dos ataques israelitas nem o desarmamento do Hamas. As autoridades de saúde de Gaza contam mais de 1.400 mortos desde essa data, sem distinguir civis de combatentes, e mais de 74.200 no total, número que a AFP diz ser considerado fiável pela ONU. Israel afirma controlar mais de 60% do território e diz que não recua sem o desarmamento total. O Hamas diz que aceitou um desarmamento por fases, mas não desarma enquanto os ataques continuarem. Com estes dados, não é possível dizer quanto da queda medida pelo Gallup entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026 pertence a estes meses.


O Michigan será um teste político


Zohran Mamdani venceu a eleição para a Câmara Municipal de Nova Iorque depois de prometer ordenar a prisão de Netanyahu em caso de visita. Em julho de 2026, reconheceu que a cidade não tem autoridade legal para executar o mandado do Tribunal Penal Internacional e pediu ao governo federal que o fizesse. Abdul El-Sayed, apoiado por Sanders e Ocasio-Cortez, ganhou por escassa margem a primária democrata do Michigan a 4 de agosto, derrotando Haley Stevens, em quem o aparelho do partido se tinha concentrado. Enfrenta o republicano Mike Rogers num estado que Trump ganhou em 2024. O Cook Political Report classifica a corrida como toss-up, sem vantagem clara para nenhum dos candidatos.


Israel nos EUA: Capitólio do Michigan, em Lansing
Capitólio do estado do Michigan, em Lansing, fotografado em julho de 2025. O estado é um dos palcos da disputa eleitoral de novembro; o edifício não é a sede do Senado federal. Roguerenaissance, via Wikimedia Commons. Domínio público (CC0).

A deslocação democrata vem de 2017, a guerra de Gaza coincidiu com uma aceleração da mudança e a erosão entre republicanos mais novos mostra que a opinião sobre Israel nos EUA já não depende de um só partido. Em 2026, o voto parlamentar aparece associado ao descontentamento com Netanyahu e com as guerras de Gaza e do Irão, na leitura da AP. O facto mais forte está nas votações do Senado: 18 votos em 2024, 27 em 2025 e 40 em 2026 para bloquear armamento, embora as propostas não sejam idênticas. O que ainda não existe é prova de que os eleitores decidam o voto por causa disto. A eleição de novembro no Michigan será um teste político, mas o resultado, por si só, não permitirá medir quanto pesou Israel na escolha dos eleitores.


Fontes e notas de leitura


As sondagens citadas foram realizadas em fevereiro e março de 2026. Simpatia pelos israelitas ou palestinianos e opinião favorável ou desfavorável de Israel são medidas diferentes. As votações de 2024, 2025 e 2026 incidiram sobre propostas distintas e não constituem uma medição direta das motivações eleitorais.





Continue a leitura

Dois artigos do Atlantic Lisbon para aprofundar este assunto.


O debate sobre Gaza também atravessa as universidades norte-americanas. Este artigo examina a retirada de uma mensagem académica após a intervenção de um doador.


Para aprofundar o contexto político israelita: um ensaio sobre o poder judicial, a guerra e as escolhas do Governo de Netanyahu.


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