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Os robotaxis fecham a porta que mais serviu os imigrantes

21 de set.
3 min de leitura

Desde o início de setembro, veículos autónomos transportam passageiros pagantes nas ruas de Londres. Ainda levam uma pessoa ao volante, pronta para intervir, pelo que não se trata de um serviço inteiramente sem condutor. É, porém, uma etapa na preparação desse modelo. Outras operadoras, entre as quais uma aliança da chinesa Baidu com a Lyft, planeiam entrar na cidade ainda este ano.


ROBOTÁXIS AMEAÇAM A PORTA DE ENTRADA DOS IMIGRANTES


Londres tem cerca de 15 mil condutores de black cab licenciados pela Transport for London. O número vem a diminuir há mais de uma década. Existem também mais de 105 mil condutores de veículos de aluguer privado, categoria que inclui plataformas como a Uber.


magem discreta de um único táxi amarelo numa avenida deserta ao nascer do sol, vista aérea traseira, sem condutor visível, com o texto centrado “Os robotaxis fecham a porta que mais serviu os imigrantes” e “Atlantic Lisbon” abaixo.

Para conduzir um black cab, é necessário passar o Knowledge, o exigente exame sobre as ruas e os percursos de Londres. O setor do aluguer privado tem outras regras de acesso e emprega um grupo muito mais numeroso. Para alguns imigrantes, oferece uma possibilidade de rendimento quando as qualificações obtidas no país de origem ainda não são reconhecidas e as redes de contactos são reduzidas.


Um estudo da Universidade de Uppsala, publicado pelo instituto público sueco IFAU, comparou imigrantes que passaram no exame escrito para obter uma licença de táxi com candidatos que ainda não o tinham feito. Entre um e três anos depois da obtenção da licença, o rendimento mensal dos primeiros tinha aumentado cerca de 47 a 50 por cento. O recurso a prestações sociais também diminuiu.


Entre os suecos nativos que fizeram o mesmo percurso, o aumento do rendimento rondou os 10 por cento. O efeito foi maior entre os imigrantes chegados há menos tempo ao país.


O que os robotáxis já estão a tirar aos imigrantes


Em Wuhan, na China, a Baidu opera desde 2022 um dos maiores serviços de táxis totalmente autónomos do mundo. Um estudo publicado na revista científica Humanities and Social Sciences Communications analisou mais de 200 mil observações diárias de condutores de táxis tradicionais durante 2024. Os autores calcularam uma redução de cerca de 11 por cento no rendimento médio diário desses profissionais depois da chegada dos robotáxis.


Operadores de táxi de Wuhan pediram às autoridades locais que limitassem a expansão do serviço. Alguns condutores abandonaram entretanto a profissão, apontando a redução dos rendimentos como motivo.


O estudo sueco e a investigação realizada em Wuhan tratam de realidades diferentes. Um mede o efeito da licença de táxi na integração económica dos imigrantes. O outro acompanha os rendimentos dos condutores depois da entrada de veículos autónomos numa cidade chinesa. Lidos em conjunto, identificam um problema que Londres ainda não enfrentou em toda a sua extensão.


A condução de táxi permite começar a trabalhar sem esperar pelo reconhecimento de qualificações académicas ou profissionais. Os horários podem ser conciliados com a aprendizagem da língua e com outras obrigações. A licença também oferece uma via relativamente rápida para entrar no mercado de trabalho formal.


Em Wuhan, os robotáxis reduziram o rendimento disponível nessa atividade. O estudo não estabelece o que acontecerá noutras cidades, mas mostra que a automatização pode atingir uma profissão que tem um papel específico na integração económica de quem imigra.


Ainda não existem dados equivalentes para Londres. A regulação, a geografia da cidade e a composição do setor são diferentes das de Wuhan. Também não se sabe com que rapidez os serviços totalmente autónomos poderão crescer nem quantos postos de trabalho serão afetados.


A entrada dos robotáxis coloca, por isso, uma questão que não se limita aos transportes. Se diminuir a procura de condutores, será necessário perceber que empregos continuarão acessíveis a quem chega sem qualificações reconhecidas no Reino Unido, com pouco domínio da língua e sem uma rede local de contactos.



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