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A instituição que queimou os seus próprios radicais
A 7 de maio de 1318, quatro frades foram queimados em Marselha por recusarem reconhecer que os seus superiores tinham autoridade para os dispensar da pobreza que o fundador da sua ordem lhes tinha deixado como regra de vida. A instituição que os condenou não estava a trair essa regra por acaso — estava a descobrir, da forma mais dura possível, que nenhuma organização pode durar séculos sustentando, como doutrina, que não deve possuir nada.
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Os portões de Karaj
Um poeta que nunca fugiu, um cemitério com os portões fechados a cada julho, e cinco livros americanos que se esqueceram de perguntar o que significa ficar. Uma reflexão a partir de Lisboa sobre quem o Ocidente escolhe ouvir — e quem decide não ouvir.
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A inteligência impressiona. O carácter fica.
Há pessoas que dominam uma sala em dez minutos. Há outras de quem nos lembramos anos depois, sem saber bem porquê. A diferença raramente aparece nos quadros de honra.
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O Mundial e os países que já não cabem no futebol
O Mundial de 2026 não é apenas uma festa do futebol. Expõe países que já não sabem transformar população em povo. O estádio vazio torna-se sinal de uma crise de pertença.
11 min de leitura


O mercado político do ódio útil
A política portuguesa aprendeu a transformar frustração material em identidade negativa. Entre o Chega, a polarização afetiva e a suspeita sobre os pobres, o ódio tornou-se um recurso útil: barato, mobilizador e administrável.
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Maria do Rio e a banca de flores que ainda sabe ouvir a praça
Maria do Rio entra na praça para comprar maçãs e acaba diante da banca da Amélia, onde flores, conversas e pequenos gestos revelam um país que ainda resiste na vida comum. Entre uma criança que leva cravos a uma professora triste e uma mulher que compra flores para pedir desculpa, a crónica mostra como uma praça pode guardar aquilo que a cidade apressada vai esquecendo.
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Leão XIV e a inteligência artificial: a dignidade humana perante a máquina
Em Magnifica Humanitas, Leão XIV coloca a inteligência artificial no centro de uma pergunta moral e política: que lugar resta à pessoa humana quando a máquina passa a mediar o trabalho, a verdade, a guerra, a privacidade e o poder? Frei Lourenço de Santa Clara lê a encíclica como advertência contra a idolatria da eficiência e a concentração tecnológica.
7 min de leitura


Hantavírus: como um surto limitado se transformou numa narrativa de medo
O surto de hantavírus foi avaliado como risco baixo para a população geral. Nas redes, o episódio foi convertido em arma biológica, vacina e confinamento. A memória da COVID-19 continua a moldar a comunicação de risco.
8 min de leitura


O Juiz que Fez da Justiça um Altar
Frank Caprio mostrou que julgar é, antes de tudo, compreender.
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