Amadeo de Souza-Cardoso: sete vendas e a troça em Lisboa
Atualizado: há 2 minutos
Em dezembro de 1916, Amadeo de Souza-Cardoso levou a Lisboa uma exposição que já apresentara no Porto. Reuniu 114 pinturas sob o título Abstraccionismo. Houve jornais que trataram o que viram como sintoma de loucura.
Amadeo de Souza-Cardoso vendeu sete obras em Nova Iorque.
Em Lisboa, chamaram-lhe louco
A reação chegava três anos depois do Armory Show, nos Estados Unidos. Amadeo de Souza-Cardoso enviara oito obras para essa exposição de arte moderna; vendeu sete. Entre elas estava Avant la Corrida, que já mostrara em Paris. As vendas dizem alguma coisa sobre os compradores que encontrou. Dizem menos sobre a pintura que Amadeo de Souza-Cardoso estava a fazer quando abriu a exposição portuguesa.
Nas telas entram motivos da vida rural, instrumentos musicais, interiores de casas e letras que se parecem com as dos anúncios. Uma forma interrompe outra; uma palavra aparece onde o olhar procurava uma figura. Amadeo de Souza-Cardoso conhecia as propostas dos artistas com quem convivera em Paris. Trabalhava também com imagens e objetos que conhecia de Manhufe.

A guerra impediu-o de regressar à capital francesa em 1914.
Em Portugal, continuou a pintar e aproximou-se de Sonia e Robert Delaunay, que também ali se encontravam por causa da guerra.
Alguns projetos de exposições internacionais concebidos com outros artistas ficaram por realizar.
No final de 1916, Amadeo de Souza-Cardoso organizou as suas mostras no Porto e em Lisboa.
A imprensa publicou troças e ataques. Almada Negreiros conheceu-o durante a exposição de Lisboa e saiu em sua defesa com um manifesto. Fernando Pessoa também se pronunciou a seu favor. Nas salas, porém, continuavam as 114 pinturas que tinham dado origem à discussão.

Entre os quadros expostos em Portugal havia trabalho posterior àquele que os compradores americanos tinham conhecido.

Amadeo de Souza-Cardoso não repetira as oito obras enviadas ao Armory Show para pedir ao público português o mesmo veredito. Continuara a pintar, longe de Paris, enquanto experimentava outras maneiras de juntar palavras, objetos e cor.





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