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Amadeo de Souza-Cardoso: sete vendas e a troça em Lisboa

há 5 dias
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Atualizado: há 2 minutos

Em dezembro de 1916, Amadeo de Souza-Cardoso levou a Lisboa uma exposição que já apresentara no Porto. Reuniu 114 pinturas sob o título Abstraccionismo. Houve jornais que trataram o que viram como sintoma de loucura.


Amadeo de Souza-Cardoso vendeu sete obras em Nova Iorque.


Em Lisboa, chamaram-lhe louco


A reação chegava três anos depois do Armory Show, nos Estados Unidos. Amadeo de Souza-Cardoso enviara oito obras para essa exposição de arte moderna; vendeu sete. Entre elas estava Avant la Corrida, que já mostrara em Paris. As vendas dizem alguma coisa sobre os compradores que encontrou. Dizem menos sobre a pintura que Amadeo de Souza-Cardoso estava a fazer quando abriu a exposição portuguesa.


Composição geométrica em azul, vermelho e amarelo numa capa vertical dedicada a Amadeo de Souza-Cardoso.
Em 1916, Amadeo de Souza-Cardoso expôs em Lisboa pinturas feitas depois do sucesso que tivera nos Estados Unidos.

Nas telas entram motivos da vida rural, instrumentos musicais, interiores de casas e letras que se parecem com as dos anúncios. Uma forma interrompe outra; uma palavra aparece onde o olhar procurava uma figura. Amadeo de Souza-Cardoso conhecia as propostas dos artistas com quem convivera em Paris. Trabalhava também com imagens e objetos que conhecia de Manhufe.


Pintura de 1912 com figuras fragmentadas numa malha de linhas e cor, reunidas antes de uma corrida.
Avant la Corrida, 1912, óleo sobre tela. Amadeo de Souza-Cardoso mostrou-a no Armory Show, em Nova Iorque, em 1913. Pintura em domínio público; reprodução via Wikimedia Commons. Coleção: Fundação Calouste Gulbenkian.

A guerra impediu-o de regressar à capital francesa em 1914.


Em Portugal, continuou a pintar e aproximou-se de Sonia e Robert Delaunay, que também ali se encontravam por causa da guerra.


Alguns projetos de exposições internacionais concebidos com outros artistas ficaram por realizar.


No final de 1916, Amadeo de Souza-Cardoso organizou as suas mostras no Porto e em Lisboa.


A imprensa publicou troças e ataques. Almada Negreiros conheceu-o durante a exposição de Lisboa e saiu em sua defesa com um manifesto. Fernando Pessoa também se pronunciou a seu favor. Nas salas, porém, continuavam as 114 pinturas que tinham dado origem à discussão.


Retrato fotográfico de Amadeo de Souza-Cardoso, de gravata, a olhar para a direita.
Amadeo de Souza-Cardoso, em fotografia anterior a 1918. Autor desconhecido. Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte, sem restrições de direitos conhecidas (via Wikimedia Commons).

Entre os quadros expostos em Portugal havia trabalho posterior àquele que os compradores americanos tinham conhecido.


Retrato pintado do médico Paul Alexandre, de 1916.
Retrato de Médico, 1916, de Amadeo de Souza-Cardoso: retrato do Dr. Paul Alexandre, médico e apreciador de arte. Pintura em domínio público; reprodução via Wikimedia Commons. Coleção: Centro de Arte Moderna, Fundação Calouste Gulbenkian.

Amadeo de Souza-Cardoso não repetira as oito obras enviadas ao Armory Show para pedir ao público português o mesmo veredito. Continuara a pintar, longe de Paris, enquanto experimentava outras maneiras de juntar palavras, objetos e cor.



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