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Lisboa e os Rapazes que Atravessam a Cidade
Os adolescentes em bicicletas elétricas irritam Lisboa porque interrompem mais do que o trânsito. Expõem uma cidade arrumada para ser vista, mas cada vez menos disponível para quem cresceu nela. Entre perigo, gesto e pertença, a velocidade torna-se uma linguagem urbana.
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Guerra do Irão: 32 milhões sem voz em Islamabade
O nitrato de amónia viaja por navio. Quando o Estreito fecha, a estação agrícola perde-se. O PNUD estima que até trinta e dois milhões de pessoas possam cair na pobreza. Nenhuma delas tem assento em Islamabade. Esse custo não tem linha nos acordos que forem assinados.
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Irão - O cenário perfeito foi perfeito uma vez. Desta não.
Trump viu na Venezuela uma regra. Esse foi o erro inicial. O que acontecera em Caracas era uma coincidência rara de circunstâncias favoráveis que não existiam em Teerão. O modelo exigia alguém semelhante a Delcy Rodríguez. A realidade entregou Vahidi e Zolghadr.
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O país que não recebia armas tornou-se fornecedor dos que as tinham
A mesma guerra que reduziu o armamento à Ucrânia criou-lhe um mercado que não depende dos Estados Unidos para existir. O país que não recebia Patriot suficientes tornou-se fornecedor dos países que os tinham. O drone é o produto. A relação com o Golfo é o investimento.
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O acordo existe. Trump é que não o consegue assinar
Trump só reconhece vitória quando o adversário aparece visivelmente derrotado. O Irão não assina o que pareça rendição. As condições para um acordo existem e são conhecidas por ambas as partes — o que não existe é uma formulação que permita a cada lado apresentar o resultado como vitória.
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Guardiães do Irão: por que a nova liderança é mais dura
Guardiães do Irão: por que a nova liderança é mais dura. Quando Washington eliminou a cúpula iraniana, esperava que o que sobrava fosse menos coeso. O que sobrou foi Vahidi — mandado de captura activo desde 1994 —, Zolghadr, sancionado pela ONU, e Ghalibaf, o rosto em Islamabade que não estava habilitado a ceder em nada. A decapitação não moderou o regime. Seleccionou o seu núcleo mais duro.
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O que significa celebrar o 25 de Abril hoje?
A liberdade não desaparece sempre por rutura. Pode tornar-se cenário.
O 25 de Abril mostra hoje uma democracia ainda formalmente sólida, mas menos segura do seu sentido comum.
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As Laranjas de Sevilha | Conto real
Mais tarde, quando os homens estavam na sala a ver televisão, as duas ficaram na cozinha a lavar a loiça. Sofia lavava, Helena secava. E foi ali, entre pratos molhados e o murmúrio distante da televisão, que Sevilha deixou de ser uma cidade e passou a ser uma pergunta.
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O Cruzeiro do Sul como Infraestrutura
Quando João Faras se inclinou sobre um astrolábio de bronze na costa do Brasil recém-encontrado, estava a fazer algo que nenhum europeu tinha feito antes: medir o hemisfério sul com rigor suficiente para confiar nele. Produziu um relatório de trabalho. A história guardou a carta. O céu guardou o Cruzeiro do Sul — a constelação que Portugal usou para navegar, depois esqueceu, e o mundo transformou em bandeiras.
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Força preventiva e certeza epistémica: o que o Irão não prova sobre a Coreia do Norte
O argumento da força preventiva julga a diplomacia pelos resultados e julga-se a si próprio pelas intenções — uma assimetria que a história norte-coreana expõe sem a resolver. Congelar não é desfazer, adiar não é resolver, e inspecionar uma instalação não é conhecer uma vontade.
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Bondi, Roy Cohn e o colapso da independência judicial nos EUA
Trump não inventou a ideia de usar o Departamento de Justiça como instrumento pessoal — encontrou a convenção suficientemente erodida para o fazer sem custo imediato. O que Bondi deixa para trás não é uma procuradora-geral falhada: é a demonstração de que a subordinação total é possível, e o precedente para quem vier a seguir.
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Pai e filha após doze anos de silêncio
Uma carta breve traz Leonor de volta à casa onde o silêncio durou anos demais. Em Bragança, um pai viúvo é obrigado a confrontar a omissão que feriu a filha e a perceber que há gestos tardios que não reparam o passado, mas recusam escondê-lo.
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A Regra do Templo pertence ao couro
A Regra do Templo não cheira a incenso: cheira a couro. Abre-se em listas — cavalos, valetes, intérpretes, peões — e revela a guerra antes do choque: como contabilidade, procedimento e travão institucional. Onde o imaginário procura o mistério, o documento deixa engrenagens: disciplina, logística, vigilância, substituições. Fé com método.
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O Silêncio de Junho
Na China, 4 de Junho não é só memória proibida. É viragem estrutural: o ponto em que a fiscalização pública se tornou intolerável e o silêncio passou a ser método.
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A Economia da Permissão
Antes do produto há licença. Antes do investimento há assinatura. Numa economia de tutela, a permissão vira capital — e o mercado torna-se um modo de governação.
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Linhagem de Acesso
A aristocracia chinesa não usa coroas: usa corredores. Quando autorização é recurso raro, a linhagem transforma-se em vantagem económica e em seguro político — com um custo moral crescente.
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O Solo Como Orçamento
Quando a terra se torna receita, o urbanismo vira contabilidade. A China moderna ergueu-se também sobre um ciclo de conversão de solo em orçamento — com conflitos, distorções e dívida como sombra.
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Tigres e Moscas: Disciplina e Medo
Na China, a luta contra a corrupção é também uma técnica de governo. Ao punir, o Partido reorganiza hierarquias, reforça o centro e protege a fonte do problema: a ausência de fiscalização independente.
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Autocensura Democrática: o Silêncio Sem Decreto
Numa democracia, o silêncio raramente é imposto: é aprendido. Entre anunciantes, reputações, redes sociais e medo de “errar”, o espaço público encolhe sem decreto. O que se perde não é só uma frase — é a coragem de a tentar.
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A Conta do Petróleo
Um Presidente que diz “o dinheiro será controlado por mim” não está a falar de eficiência: está a redesenhar a fronteira entre Estado e pessoa. Na Venezuela, a tentação do petróleo como espólio pode criar um resultado imediato — e um erro estratégico de longo prazo.
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