Carros elétricos baratos: o 2CV, o R5 e o Twingo regressam
Atualizado: há 8 horas
As marcas europeias recuperam modelos populares para vender carros elétricos baratos. A familiaridade pode atrair compradores, mas a concorrência chinesa disputa também os custos de produção, a tecnologia e a assistência.
Um Citroën 2CV elétrico, apresentado como conceito no Salão de Paris, com um preço-alvo de cerca de 15 mil euros e uma entrada na gama possível até 2028, procura recuperar duas características do modelo original: uma identidade reconhecível e a promessa de um automóvel acessível.

O nome pode distinguir o carro numa exposição ou numa campanha publicitária. Para o colocar à venda por aquele valor, a marca terá de controlar o custo da plataforma, da bateria, dos componentes e da montagem.
A Citroën acompanha outras marcas europeias que recuperam modelos populares para a transição elétrica. A Renault voltou ao R5 e ao Twingo. A Volkswagen apresentou o ID. Polo elétrico, com preços a partir de 24 990 euros, cujo habitáculo recupera referências do Golf.
Estes lançamentos chegam a um mercado em que os fabricantes chineses ampliam a oferta e preparam mais produção na Europa. O comprador encontra propostas de marcas que conhece há décadas ao lado de outras com que teve pouco ou nenhum contacto.
O preço-alvo terá de se traduzir num veículo disponível, com equipamento e condições de utilização que correspondam às necessidades do comprador. Até à comercialização, continua a ser um objetivo industrial.
Recuperar um modelo permite apresentar um produto novo sem construir toda a sua identidade de raiz. Um fabricante recém-chegado precisa de conquistar esse reconhecimento enquanto procura demonstrar a qualidade do produto.
A Citroën quer explorar essa ligação com o 2CV. A Renault segue um percurso semelhante com pequenos automóveis que ocuparam durante anos um lugar importante na sua oferta.
A concorrência chinesa já abrange diferentes níveis de preço. Marcas como a Nio disputam compradores de modelos mais caros, enquanto outros fabricantes procuram crescer nos segmentos de maior volume.
O custo de produção dos carros elétricos baratos
Segundo a consultora AlixPartners, um elétrico de uma marca chinesa produzido na China custa, em média, cerca de 20 mil dólares, perante aproximadamente 31 mil dólares de um equivalente europeu. A consultora atribui a diferença sobretudo aos custos das baterias, das matérias-primas e da energia.
São valores de produção, que não correspondem diretamente ao preço pago num concessionário europeu.
No desenvolvimento do novo Twingo, a Renault trabalhou com fornecedores chineses, nomeadamente na motorização elétrica.
A AlixPartners estima ainda que 15 fábricas europeias operem abaixo de 60% da capacidade instalada, o que deixa capacidade por utilizar.
Regras de produção local e fábricas chinesas na Europa
Estão propostas, a nível europeu, regras que ligam apoios públicos e outras vantagens ao conteúdo produzido localmente. Ainda não estão em vigor. A possibilidade pretende reforçar a atividade industrial dentro do mercado europeu.
Os fabricantes chineses estão a preparar-se para produzir mais nesse território. Em Espanha, a Chery monta os automóveis da Ebro desde 2024; a produção das marcas Jaecoo e Omoda no país ainda não começou, e o Jaecoo 5 elétrico está previsto para o primeiro trimestre de 2027. No Salão de Paris, a Changan indicou uma capacidade potencial de 180 mil unidades na Europa em 2028 e de 350 mil em 2030, com produção a partir de 2027. Não identificou os parceiros.
Uma regra baseada no local de fabrico não reserva necessariamente o mercado às marcas historicamente europeias: uma fábrica de uma marca chinesa em Espanha contribui para a produção europeia e continua a disputar vendas com a Renault, a Volkswagen ou a Stellantis.
Assistência e peças depois da compra
O preço e a autonomia ocupam grande parte da atenção dada aos elétricos. Para um comprador, interessa também saber quem repara o carro, quanto tempo demora a chegar uma peça e que apoio terá durante os anos seguintes.
As marcas europeias possuem redes de assistência e uma relação prolongada com os seus mercados. Os fabricantes chineses procuram reduzir essa vantagem. A BYD indica no seu site europeu três armazéns de peças, nos Países Baixos, na Suécia e no Reino Unido.







Comentários