Como a dívida francesa chega às contas dos bancos
Atualizado: há 2 dias
A subida das taxas das obrigações afeta o financiamento do Estado e pode encarecer o dinheiro que os bancos obtêm no mercado. A exposição vai além dos títulos públicos que têm em carteira.
A taxa das obrigações francesas a dez anos atingiu 5% em 21 de outubro, um nível que não era observado desde 2002. A diferença face à dívida alemã rondava 1,57 pontos percentuais durante a manhã, segundo a Reuters.
Para o Estado, a subida torna mais caro obter novo financiamento. O efeito sobre a despesa com juros acumula-se à medida que emite dívida e substitui títulos que vencem.
Dívida francesa: o custo de obter dinheiro
Os bancos também se financiam junto de investidores. Quando aumenta o risco atribuído ao país onde operam, podem ter de pagar mais para emitir as suas próprias obrigações. Uma análise publicada pela Reuters em 21 de outubro identifica esse canal como preocupação para os bancos franceses.
Um custo de financiamento mais elevado pode ser absorvido pelas margens do banco, refletir-se nas condições dos novos empréstimos ou levar a uma seleção mais exigente dos projetos.

A carteira de obrigações é apenas uma ligação
Nas obrigações de taxa fixa, quando as taxas de mercado sobem, o preço dos títulos existentes tende a cair. O impacto depende da classificação contabilística dos títulos e da necessidade de os vender antes do vencimento.
O Banco de Pagamentos Internacionais identifica ainda ligações indiretas. Os bancos financiam fundos, intermedeiam operações e disponibilizam linhas de crédito a investidores não bancários. Dificuldades nesses investidores podem transmitir pressão ao sistema bancário.
O BIS assinala também que os bancos dispõem hoje de mais capital e liquidez e de fontes de financiamento mais estáveis do que antes das reformas posteriores à crise financeira.





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