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Orçamento francês: os limites de governar sem maioria

6 de out.
2 min de leitura

Atualizado: há 10 horas

O orçamento francês liga a disputa sobre os cortes à sobrevivência do Governo. O artigo 49.3 e o prazo dos 70 dias oferecem vias distintas perante o impasse parlamentar.


Capa tipográfica: Atlantic Lisbon.


Com o artigo 49.3, o Governo pode fazer avançar um texto em França. O texto é considerado aprovado, salvo se uma moção de censura apresentada em resposta for aprovada. Se a moção de censura for aprovada, o Governo cai e o texto não passa por essa via.

Capa do Atlantic Lisbon com o título Orçamento francês: os limites de governar sem maioria, centrado sobre fundo azul-escuro.
O orçamento francês enfrenta um Parlamento fragmentado. O artigo 49.3, o prazo dos 70 dias e as propostas para educação e pensões ajudam a explicar o impasse.

O Governo de Sébastien Lecornu apresentou um plano com 43 mil milhões de euros em cortes, num Parlamento fragmentado e com a aproximação das presidenciais a condicionar alinhamentos. Um deputado pode rejeitar os cortes previstos sem apoiar uma moção de censura. Forças com programas orçamentais diferentes podem convergir na decisão de afastar o Governo.


O artigo 49.3 associa a aprovação do texto à responsabilidade do Governo. Passados 70 dias sobre a apresentação do projeto de lei de finanças, se não houver decisão final do Parlamento, abre-se a possibilidade de fazer entrar em vigor disposições por ordonnances.


Palais Bourbon, em Paris, numa fotografia histórica de Édouard Baldus, entre 1851 e 1870.
Palais Bourbon, em Paris, entre 1851 e 1870. Fotografia de arquivo de Édouard Baldus / Library of Congress. Domínio público.


Orçamento francês: educação e pensões


Na educação, a proposta combina um reforço de 1,2 mil milhões de euros com a eliminação de mais de 1500 postos docentes, associada à diminuição do número de alunos.


Instalações degradadas, menos alunos por turma, contratação de professores. Foram reivindicações levantadas nos protestos estudantis.


Para as pensões, está em discussão abrandar o ritmo de atualização de muitos pagamentos face à inflação. Altera-se a forma como evolui o valor recebido, sem mexer de imediato na idade de acesso.


Marine Le Pen e Jean-Luc Mélenchon defendem baixar essa idade, com propostas que chegam aos 60 anos. As pensões representam cerca de 14% do PIB francês.



Fachada do Palais Bourbon numa fotografia de arquivo de Eugène Atget, conservada no Musée Carnavalet.
Palais Bourbon, numa fotografia de arquivo de Eugène Atget, sem data identificada. Paris Musées / Musée Carnavalet, PH13836. Domínio público, CC0.


Cortes na despesa e redução de impostos


Numa conferência de imprensa, Marine Le Pen apresentou um objetivo de 140 mil milhões de euros em cortes na despesa e défice de 2,2% do PIB até 2032. No pacote, redução da contribuição francesa para a União Europeia e restrição de prestações sociais para residentes estrangeiros em situação legal. Ao mesmo tempo, isenção de imposto sobre o rendimento para cidadãos franceses com menos de 30 anos e menor tributação sobre combustíveis e outros bens essenciais.


O efeito financeiro depende da poupança obtida e da receita perdida com os desagravamentos. Os mecanismos constitucionais permitem ultrapassar determinados impasses na aprovação, mas deixam por resolver a disputa sobre quais despesas reduzir e quais receitas dispensar.


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