Emprego em 2027: de onde virão os trabalhadores?
Atualizado: há 2 dias
A previsão do Governo exige maior participação no mercado de trabalho e saldos migratórios positivos. A UTAO identifica um risco para as receitas se o emprego crescer menos do que o esperado.
O Orçamento conta com pessoas que ainda terão de encontrar trabalho ou entrar no mercado laboral. A previsão de emprego influencia o cálculo dos salários, impostos e contribuições que o Estado espera receber.
Para 2027, o Governo prevê um crescimento do emprego de 1,4%. Na apreciação preliminar publicada em 19 de outubro, a Unidade Técnica de Apoio Orçamental questiona a compatibilidade desse ritmo com o abrandamento recente da imigração líquida.
O cenário das Finanças combina um aumento de 0,6% da população em idade ativa com uma subida de 1,3% da população ativa. Exige, por isso, que a taxa de participação passe de 69,7% para 70,2%.
O emprego em 2027 depende também de quem já cá está
A população ativa inclui as pessoas empregadas e as desempregadas que cumprem critérios de procura e disponibilidade para trabalhar. A população inativa reúne quem não está em nenhuma dessas situações.
O emprego pode aumentar sem uma subida equivalente do número de residentes. Uma pessoa desempregada que encontra trabalho aumenta o emprego, mas já pertencia à população ativa. Alguém que estava fora do mercado e começa a procurar aumenta a população ativa antes de conseguir colocação.
A taxa de participação mede o peso da população ativa na população de referência. A sua subida significa que uma proporção maior está empregada ou reúne condições para ser considerada desempregada.
Emprego em 2027: A imigração e o regresso ao mercado de trabalho
Uma pessoa pode voltar a procurar emprego depois de uma interrupção e outra pode terminar a formação e começar a trabalhar. Um saldo migratório positivo pode aumentar os residentes em idade de trabalhar, mas a chegada não corresponde automaticamente à entrada imediata no emprego.
O relatório da UTAO assinala que, no primeiro semestre de 2026, o aumento do emprego resultou sobretudo da redução da população inativa. Para 2027, a concretização da previsão depende da continuidade do aumento da participação e da manutenção de saldos migratórios positivos.
Emprego em 2027: Menos emprego, menos receita do que o previsto
A UTAO alerta que um crescimento do emprego inferior ao previsto reduziria as bases da receita fiscal e contributiva face ao cenário orçamental.

O efeito financeiro depende também dos salários, da duração dos contratos e das regras aplicáveis. Uma diferença na previsão do emprego não se traduz automaticamente em diferença proporcional de receita.
Se o emprego aumentar abaixo dos 1,4% previstos, poderá continuar a haver mais pessoas empregadas. O desvio será em relação ao cenário que sustentou as contas.
A pergunta para as contas públicas é concreta: os rendimentos do trabalho sobre os quais o Estado espera cobrar impostos e contribuições vão existir na dimensão prevista?





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