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Rachel Rabin: uma vida na fronteira de Israel

há 6 dias
3 min de leitura

Rachel Rabin morreu longe do kibbutz que construiu


Irmã de Yitzhak Rabin, recusou um lugar no Knesset e permaneceu durante décadas em Manara. Depois do assassínio do antigo primeiro-ministro, assumiu uma vida pública que nunca procurara.


Rachel Rabin morreu em setembro, no kibbutz Kinneret, junto ao lago da Galileia. A sua casa ficava mais a norte, junto à fronteira com o Líbano. Chamava-se Manara.

Imagem fotográfica suave de colinas verdes e douradas no norte de Israel ao pôr do sol, com o texto centrado “Rachel Rabin: uma vida na fronteira de Israel” e “Atlantic Lisbon” abaixo.
Paisagem de colinas na fronteira de Israel, ilustrando a vida de Rachel Rabin.

Rachel Rabin não regressava lá desde 2023. Os ataques do Hezbollah levaram Israel a retirar milhares de habitantes das comunidades próximas da fronteira, e Manara foi evacuado. Ela seguiu com os restantes moradores para outro lugar.


Chegara a Manara em 1943, integrada num grupo de jovens mobilizados pelo Fundo Nacional Judaico para estabelecer ali uma comunidade agrícola. Décadas depois, recordava um lugar onde, segundo dizia, quase nada estava preparado. Nos primeiros anos, transportavam água em barris provenientes de aldeias libanesas. Uma vez por semana, Rachel Rabin percorria a pé o caminho de cerca de duas horas até Kfar Giladi para tomar banho.


Era três anos mais nova do que Yitzhak Rabin. Perdeu a mãe aos 12 anos. Rosa Cohen, dirigente da Haganah em Haifa, vereadora em Telavive e figura conhecida no movimento operário como «Rosa Vermelha», morreu de cancro antes da criação do Estado de Israel.


Rachel contaria muito mais tarde que Yitzhak assumira a responsabilidade de cuidar dela sem que ninguém lho tivesse pedido. A proximidade entre ambos manteve-se quando seguiram percursos diferentes. Yitzhak Rabin entrou no Palmach e combateu na guerra de 1948. Rachel Rabin aderiu a um movimento juvenil sionista e trabalhista que enviava os seus membros para a implantação de comunidades agrícolas coletivas.


Passou por Revivim, no Neguev, e por Kfar Giladi, na Galileia, antes de se instalar em Manara, em 1943.


Durante a guerra de 1948, a maior parte da comunidade foi retirada. Rachel Rabin permaneceu com o pequeno grupo encarregado de defender o lugar. Sem preparação prévia para essas funções, trabalhou como operadora de rádio e enfermeira de campanha.


Foi também durante a guerra que casou com Rafi Yaakov, um refugiado alemão que fugira do nazismo. Yitzhak Rabin não conseguiu comparecer no casamento. Três dias depois, casou também, numa cerimónia breve.


Rachel e Rafi tiveram três filhos e adotaram um quarto, órfão de uma família de imigrantes judeus oriundos da Pérsia. Rafi morreu em 2012. Em Manara, Rachel trabalhou primeiro como educadora de infância e depois como professora primária, ensinando algumas das primeiras gerações nascidas no kibbutz.


No início da década de 1960, propuseram-lhe um lugar de deputada no Knesset. Recusou. Entre 1981 e 1986, afastou-se temporariamente de Manara para trabalhar no Ministério da Educação. Terminadas essas funções, regressou à comunidade.


Em dezembro de 1994, Yitzhak convidou-a para a cerimónia do Prémio Nobel da Paz, em Oslo. O galardão foi atribuído a Rabin, Shimon Peres e Yasser Arafat pelo processo que conduzira aos Acordos de Oslo.


Rachel recordaria o desconforto sentido durante a cerimónia. Pensou no orgulho que os pais teriam sentido e chegou a perguntar ao irmão se devia estar ali. Yitzhak respondeu que não tinha dúvidas: ela era sua irmã.


Às nove e meia da noite de 4 de novembro de 1995, Yigal Amir, um estudante de Direito da extrema-direita israelita, matou Yitzhak Rabin quando este saía de um comício pela paz em Telavive. Amir opunha-se ao processo de paz e aos Acordos de Oslo. Foi condenado a prisão perpétua e continua encarcerado.


Depois do assassínio, Rachel começou a participar regularmente em discursos, cerimónias e entrevistas dedicados à memória do irmão e à defesa da tolerância política. Colaborou também com o centro que recebeu o nome de Yitzhak Rabin em Telavive. A exposição pública resultou do assassínio e das responsabilidades que entendeu assumir depois dele, não de uma carreira política própria.


Rachel continuou a viver em Manara.


Após os ataques de 7 de outubro de 2023 e a abertura de confrontos na fronteira entre Israel e o Líbano, os foguetes lançados pelo Hezbollah atingiram repetidamente o norte de Israel. Manara e outras comunidades da região foram evacuadas. Kfar Giladi, onde Rachel passara parte da juventude, ficou igualmente dentro de uma zona militar fechada.


Rachel foi transferida para o kibbutz Kinneret. Ali celebrou os 100 e os 101 anos. Morreu a 11 de setembro, sem ter regressado a Manara, a comunidade onde se instalara em 1943 e onde vivera durante oito décadas.



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