top of page

Boicote a Montenegro? Nos EUA, as televisões uniram-se

24 de set.
3 min de leitura

Na quinta-feira, 17 de setembro, Luís Montenegro chamou jornalistas à residência oficial do primeiro-ministro para apresentar medidas aprovadas em Conselho de Ministros. Falou sobre alterações no IRS e um suplemento extraordinário para pensionistas. Não abriu espaço para perguntas.


No dia seguinte, o Sindicato dos Jornalistas dirigiu-se às redações e direções de informação. Pediu-lhes que, em futuras declarações do primeiro-ministro sem direito a perguntas, deixassem de enviar jornalistas.


O título do comunicado dispensava rodeios: «Se Montenegro não aceita perguntas, boicotem as declarações.»


As palavras do primeiro-ministro poderiam continuar a ser divulgadas. O Sindicato queria retirar-lhe outra coisa: câmaras, microfones e repórteres à sua frente enquanto proferia uma declaração que nenhum deles podia questionar.


Ilustração de um púlpito vazio com microfones, numa capa sobre o apelo ao boicote das declarações de Luís Montenegro sem perguntas.
Depois de Luís Montenegro voltar a falar sem aceitar perguntas, o Sindicato dos Jornalistas pediu às redações que deixassem de enviar repórteres para declarações nessas condições.

A decisão cabia às direções


O Sindicato acusou Luís Montenegro de ter tornado habitual a convocatória da comunicação social para declarações públicas sem perguntas posteriores. A intervenção de 17 de setembro era, segundo o comunicado, o exemplo mais recente.


O texto recordava uma proposta de boicote a conferências de imprensa sem direito a questões aprovada no IV Congresso dos Jornalistas. Depois aplicava esse princípio ao caso do primeiro-ministro: «se não permitem colocar questões, não devem estar jornalistas presentes». Para o Sindicato, transmitir declarações de quem exerce o poder sem possibilidade de o interrogar arriscava transformar a presença jornalística num veículo da mensagem preparada pelo governante. Se a intenção fosse apenas comunicar uma decisão, poderia ser enviado um comunicado de imprensa.


Um repórter destacado para São Bento pode fazer uma pergunta se lhe derem oportunidade. Dificilmente pode decidir, já no local, que a sua televisão, rádio, jornal ou agência deixa de cobrir o primeiro-ministro. As equipas são enviadas pelas redações. Por isso o Sindicato nomeou expressamente as «redações e direções de informação» no apelo.


Faltar teria um custo possível para cada órgão. Enquanto uma redação prescindisse de imagens próprias e acesso imediato à declaração, as concorrentes poderiam continuar presentes. Se várias tomassem a mesma decisão, Montenegro encontraria uma sala diferente. O Sindicato propôs essa ação conjunta, mas não podia executá-la pelas direções.


O apelo tornou-se notícia


A Lusa noticiou o pedido e vários órgãos de comunicação social publicaram a notícia. O comunicado circulou, mas a cobertura do comunicado não revela que instruções foram dadas às equipas encarregadas de acompanhar o primeiro-ministro.


A falta de anúncios públicos também não esclarece a resposta. Uma direção podia decidir não enviar jornalistas sem comunicar essa decisão; outra podia continuar a fazê-lo ou avaliar cada convocatória. A documentação pública reunida até agora não permite dizer que as principais redações aderiram em conjunto ao boicote. Também não permite afirmar que nenhuma aderiu.


A declaração de 17 de setembro ocorreu antes do apelo. As equipas presentes nesse dia não são prova de que as redações tenham recusado uma proposta publicada a 18. Para apurar o que aconteceu depois, seria necessário examinar convocações posteriores sem perguntas e saber quais os órgãos que enviaram jornalistas.


As próximas declarações


O Sindicato terminou o comunicado com Salgueiro Maia. Recordou que, durante o cerco ao Quartel do Carmo, em 25 de Abril de 1974, o militar respondeu a perguntas de jornalistas. Era uma comparação destinada a contestar a falta de tempo para perguntas nas declarações de um primeiro-ministro em democracia.


O pedido às redações era mais concreto do que essa comparação. Perante uma prática que condenava, o Sindicato deixou de esperar apenas que Montenegro mudasse o formato das suas intervenções. Pediu aos órgãos de comunicação social que mudassem a sua resposta.


O pedido foi feito e divulgado. Falta apurar o que decidiram as direções quando voltaram a ser chamadas a cobrir declarações sem perguntas.




Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page