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O título esconde a história - Descubra o Atlantic Lisbon

Comprar casa nos arredores de Lisboa está mais caro

há 3 dias
4 min de leitura

Atualizado: há 2 dias

Loures registou uma subida de 29% num ano, mais do triplo da de Lisboa. A capital continua mais cara, mas a diferença diminuiu em termos relativos.


Uma casa em Lisboa continua a custar bastante mais do que uma habitação em Loures. Mas é em Loures que os preços estão a subir mais depressa. No segundo trimestre de 2026, o valor mediano por metro quadrado das casas vendidas aumentou 29% face ao mesmo período do ano anterior. Na capital, a subida foi de 8,9%.


Capa ilustrada do Atlantic Lisbon sobre comprar casa nos arredores de Lisboa, com fachadas portuguesas em camadas de papel.
Comprar casa nos arredores de Lisboa está mais caro. Ilustração editorial criada para o Atlantic Lisbon.

Os preços medianos atingiram 3846 euros por metro quadrado em Loures e 5299 euros em Lisboa. São valores das transações realizadas entre abril e junho, não preços pedidos nos anúncios. A capital mantém um nível substancialmente superior, embora o crescimento mais rápido em Loures tenha reduzido a distância em termos relativos.


Comprar casa nos arredores de Lisboa custa mais


A diferença entre o preço de uma casa e a velocidade a que esse preço aumenta é essencial para ler os resultados. Um concelho pode continuar mais barato do que Lisboa e tornar-se, ao mesmo tempo, bastante mais exigente para quem procura comprar.


A análise dos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), publicada pelo Economia e Finanças, identifica aumentos superiores ao de Lisboa em vários municípios próximos, incluindo Amadora, Sintra, Seixal, Setúbal, Cascais, Odivelas, Almada e Oeiras. Loures destaca-se pela dimensão da subida: 29% corresponde a mais de três vezes os 8,9% da capital.


Entre os municípios com pelo menos 100 mil habitantes, Lisboa, Cascais e Oeiras apresentaram os preços medianos mais elevados no trimestre: 5299, 5200 e 4704 euros por metro quadrado, respetivamente. Loures e Porto registaram ambos 3846 euros.


Prédios residenciais e telhados em Lisboa, sob um céu com nuvens.
Edifícios residenciais em Lisboa. A capital mantém preços superiores aos de Loures, onde a subida anual foi mais rápida. Fotografia de arquivo: Chirill Ceban / Pexels. · Origem · Licença Pexels

comprar casa nos arredores de Lisboa: O que estes valores representam numa compra


Uma habitação com 100 metros quadrados corresponderia a 384 600 euros em Loures e 529 900 euros em Lisboa, se se aplicasse mecanicamente o preço mediano municipal. A diferença seria de 145 300 euros.


É apenas uma ilustração aritmética. Não são preços observados de duas casas equivalentes. A localização, a tipologia, o estado de conservação e as características do edifício influenciam cada transação. Multiplicar o indicador pela área não substitui a avaliação de um imóvel concreto.


O preço mediano por metro quadrado corresponde ao ponto central da distribuição dos valores observados. Também não significa que o mesmo apartamento tenha valorizado exatamente à taxa do concelho. As casas vendidas em cada período podem ter características diferentes, pelo que a composição das transações importa na comparação.


Para uma família, o crescimento dos preços coloca ainda uma questão que o indicador não resolve: se o rendimento, a poupança e o crédito disponível permitem acompanhar o custo da compra. Saber que um município continua abaixo de Lisboa não basta para concluir que a habitação seja acessível a quem nele procura casa.


Prédio de apartamentos em Lisboa, com uma grua ao fundo e vegetação em primeiro plano.
Prédio de habitação com uma grua na envolvente, em Lisboa. Os preços medianos das vendas não equivalem à avaliação de uma casa concreta. Fotografia: thorl5 / Pexels. · Origem · Licença Pexels

comprar casa nos arredores de Lisboa: Compradores com domicílio no estrangeiro pagam mais


Na Grande Lisboa, o preço mediano foi de 5878 euros por metro quadrado nas compras de pessoas com domicílio fiscal no estrangeiro e de 4000 euros nas de compradores domiciliados em Portugal. A diferença aproxima-se de 47%. Na Área Metropolitana do Porto, os valores foram de 3640 e 2648 euros, respetivamente, um diferencial de cerca de 37,5%.


A classificação distingue o domicílio fiscal, não a nacionalidade. Um português residente no estrangeiro pode integrar o primeiro grupo. Uma pessoa de nacionalidade estrangeira com domicílio fiscal em Portugal integra o segundo.


Estes resultados também não comparam necessariamente habitações equivalentes. Um grupo pode comprar imóveis diferentes, em localizações distintas. A diferença entre medianas descreve as transações observadas; não demonstra, por si só, quanto custaria a mesma casa a cada comprador nem identifica isoladamente a causa da subida geral.


Fachada amarela de um prédio alto, com filas de janelas e varandas.
Pormenor de uma fachada residencial em Lisboa. A comparação entre compradores também depende das características dos imóveis adquiridos. Fotografia de arquivo: Oscar M / Pexels. · Origem · Licença Pexels

As freguesias exigem outro período de comparação


Os valores divulgados para as freguesias de Lisboa referem-se aos 12 meses terminados em junho de 2026. Não devem ser confundidos com os resultados apenas do segundo trimestre nem apresentados como preços exclusivos dos compradores domiciliados no estrangeiro.


Nesse período de 12 meses, Santo António registou 7254 euros por metro quadrado. Seguiram-se Parque das Nações, com 6269 euros, Avenidas Novas, com 6144, Campo de Ourique, com 6055, e Misericórdia, com 6014. São medianas do conjunto das transações abrangidas em cada freguesia.


A diferença de escala temporal importa. Um indicador trimestral descreve três meses de vendas; outro calculado sobre 12 meses reúne um conjunto mais amplo de transações. Ambos podem ajudar a compreender o mercado, desde que o período acompanhe cada valor.


Rua estreita de Lisboa ladeada por edifícios com varandas e vasos.
Rua entre edifícios residenciais de Lisboa, fotografada em julho de 2022. Os indicadores por freguesia referem-se aos 12 meses terminados em junho de 2026. Fotografia: Fran Fruh / Pexels. · Origem · Licença Pexels

A subida estende-se para além da região de Lisboa


No conjunto do país, o preço mediano atingiu 2445 euros por metro quadrado no segundo trimestre, mais 18,4% do que um ano antes. A divulgação da Direção Regional de Estatística da Madeira (DREM) confirma o valor nacional e distingue expressamente os resultados trimestrais dos relativos aos últimos 12 meses.


No Porto, o crescimento homólogo foi de 16,2%. A subida dos preços mantém-se, portanto, para além da região da capital. A desaceleração nacional face ao início do ano significa que o ritmo de aumento diminuiu; não que as casas tenham passado a custar menos.


Para quem procura comprar nos arredores de Lisboa, os dados mostram um problema concreto: sair da capital pode reduzir o preço de referência, mas vários mercados vizinhos estão a encarecer mais depressa. A alternativa continua a existir a preços diferentes, sem ficar protegida da subida.






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