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Inteligência artificial: quem financia e quem arrisca?

9 de out.
11 min de leitura

Atualizado: há 9 horas

As grandes empresas tecnológicas estão a investir milhares de milhões de dólares em centros de dados, processadores e capacidade de computação. Parte desse dinheiro circula entre fornecedores, investidores e clientes do mesmo setor. A expansão pode criar um mercado extraordinário, mas também torna mais difícil perceber onde termina a procura efetiva e começa a procura financiada pelos próprios participantes.


Uma empresa tecnológica investe num laboratório de inteligência artificial. O laboratório utiliza o capital recebido para contratar capacidade de computação. O fornecedor dessa capacidade compra processadores e constrói centros de dados. A empresa que fabricou os processadores pode, por sua vez, participar no financiamento de outros laboratórios que necessitam dos seus produtos.


Capa Atlantic Lisbon: inteligência artificial, financiamento e risco.
A inteligência artificial mobiliza milhares de milhões para centros de dados e processadores. Quem financia esta expansão e quem assume o risco quando as receitas ainda não cobrem os custos?

Cada operação pode ter justificação comercial. O investimento permite desenvolver tecnologia, os contratos garantem capacidade de processamento e os fabricantes recebem encomendas. O problema surge quando o crescimento das receitas de uma empresa depende, em parte, do financiamento que outra empresa do mesmo circuito disponibiliza.


As vendas não são fictícias. Uma parcela da procura pode estar a ser sustentada por capital antecipado, e não pelos rendimentos que os serviços de inteligência artificial já conseguem gerar junto dos utilizadores finais. A distinção tornou-se importante numa indústria que precisa de construir infraestruturas dispendiosas antes de conhecer a dimensão e a rentabilidade do mercado que pretende servir.


A relação entre investidores e clientes não é novidade na indústria tecnológica. Um fabricante pode financiar um comprador para facilitar a aquisição dos seus equipamentos. Uma empresa pode investir num parceiro estratégico e, simultaneamente, vender-lhe serviços. Um operador de infraestruturas pode celebrar contratos de longo prazo para obter financiamento bancário.


Na inteligência artificial, a dimensão dos investimentos e a concentração dos fornecedores tornam essas relações especialmente relevantes. A Microsoft estabeleceu uma relação financeira e comercial profunda com a OpenAI. A Amazon investiu na Anthropic e fornece-lhe serviços de computação. A Google mantém relações comerciais e financeiras com empresas que desenvolvem modelos concorrentes. A Nvidia, principal fornecedora de processadores usados no treino de muitos modelos avançados, também participa no financiamento de empresas do setor.


As relações não são idênticas. Algumas envolvem participações no capital, outras incluem compromissos de utilização de infraestrutura, acordos de fornecimento ou condições comerciais específicas. Também não é correto tratar todos os contratos como financiamento circular. Para determinar a natureza económica de cada operação, é necessário conhecer os fluxos financeiros efetivos, as obrigações contratuais e a forma como as receitas são reconhecidas. Ainda assim, a sobreposição de papéis é evidente: investidores podem ser fornecedores, fornecedores podem financiar clientes e clientes podem assumir compromissos de compra que sustentam novos investimentos.


Supercomputador Frontier, exemplo da infraestrutura de computação utilizada em inteligência artificial.
O supercomputador Frontier, no Laboratório Nacional de Oak Ridge, ilustra a escala física da computação avançada. Fotografia: Carlos Jones/ORNL, Departamento de Energia dos EUA. Domínio público.

Inteligência artificial: centros de dados antes das receitas


A inteligência artificial generativa exige infraestruturas físicas. Os modelos mais avançados utilizam grandes quantidades de capacidade de processamento durante o desenvolvimento. Depois de concluído o treino, continuam a consumir recursos sempre que respondem a pedidos ou executam operações. O crescimento da utilização obriga a disponibilizar servidores, processadores, memória, sistemas de refrigeração e ligações de comunicação. É necessário ainda assegurar eletricidade suficiente para alimentar os equipamentos.


Parte importante destas despesas é realizada antes de os serviços produzirem receitas capazes de compensar o investimento. O operador de um centro de dados pode construir instalações para responder a contratos de utilização futura. O fabricante de processadores recebe encomendas destinadas a equipar essas instalações. Os investidores financiam a expansão na expectativa de que a procura continue a aumentar.


Se essa procura se concretizar, a infraestrutura pode gerar receitas durante vários anos. Se crescer mais lentamente do que o previsto, parte da capacidade pode ficar subutilizada. Há também o risco de os equipamentos perderem valor económico mais depressa do que as instalações que os acolhem. Um edifício pode continuar operacional durante décadas, enquanto os processadores usados no seu interior podem tornar-se menos competitivos em poucos anos. A diferença entre a vida útil da infraestrutura e o ritmo de evolução tecnológica influencia o retorno.


Construir capacidade não equivale a criar um negócio rentável. A infraestrutura precisa de ser utilizada a preços que permitam recuperar os custos.


As receitas de uns são despesas de outros


Quando uma empresa de inteligência artificial contrata serviços de computação, o pagamento representa receita para o fornecedor e despesa para o cliente. O crescimento das vendas do fornecedor não demonstra, por si só, que o cliente esteja a gerar rendimentos suficientes para suportar essa despesa.


Imagine um laboratório que recebe financiamento de investidores e utiliza uma parte significativa do capital para contratar servidores. O operador dos servidores regista receitas. O fabricante dos equipamentos recebe encomendas. Os resultados comerciais destas duas empresas podem melhorar. O laboratório, contudo, pode continuar a apresentar prejuízos enquanto procura clientes para os seus serviços. As três situações podem coexistir durante bastante tempo.


O problema económico não está necessariamente na existência de prejuízos. Muitas empresas investem durante anos antes de alcançar a rentabilidade. A questão é saber se o crescimento futuro permitirá recuperar o capital utilizado e remunerar adequadamente o risco assumido. Na inteligência artificial, essa avaliação é dificultada pela velocidade das alterações tecnológicas e comerciais.


Os preços cobrados pela utilização dos modelos podem diminuir à medida que surgem alternativas mais eficientes. Ao mesmo tempo, a expansão da procura pode aumentar o número de operações realizadas. Uma redução do preço unitário não implica necessariamente uma quebra de receitas, mas pode obrigar as empresas a processar um volume muito superior de pedidos para alcançar as margens esperadas. É possível que o mercado cresça rapidamente sem que todos os fornecedores consigam obter lucros.


O caso Microsoft: investimento e faturação na mesma relação


A Microsoft fornece um exemplo concreto da sobreposição entre investimento e atividade comercial. No relatório anual relativo ao exercício terminado em junho de 2026, a empresa declarou uma participação de aproximadamente 25% na OpenAI, considerando a conversão dos instrumentos de capital relevantes. Indicou ainda compromissos de financiamento de 13 mil milhões de dólares, dos quais 11,9 mil milhões já tinham sido disponibilizados. No mesmo exercício, reconheceu 24,1 mil milhões de dólares de receitas provenientes dos acordos comerciais com a OpenAI, incluindo pagamentos relacionados com a partilha de receitas. No final de junho, tinha seis mil milhões de dólares a receber da empresa. Comissão de Valores Mobiliários


Estes números permitem observar duas relações distintas. A Microsoft participa no capital da OpenAI e recebe receitas provenientes das atividades comerciais desenvolvidas entre ambas. Não permitem, contudo, concluir que o dinheiro investido tenha sido diretamente utilizado para pagar serviços à própria Microsoft. Essa conclusão exigiria informação adicional sobre a utilização dos fundos e os movimentos financeiros entre as empresas.


A relação comercial também mudou. Em abril de 2026, as duas empresas anunciaram uma revisão contratual. A Microsoft manteve-se como principal parceira de computação em nuvem da OpenAI, mas esta passou a dispor de maior liberdade para disponibilizar produtos através de outros fornecedores. O acordo conservou pagamentos de partilha de receitas da OpenAI à Microsoft até 2030, sujeitos a um limite global. The Official Microsoft Blog


A dimensão financeira da parceria torna-a importante para ambas. Para a Microsoft, a OpenAI é simultaneamente um investimento e uma fonte de receitas. Para a OpenAI, a Microsoft representa um fornecedor de infraestrutura e um acionista relevante. O risco de uma das empresas não cumprir as expectativas comerciais pode, por isso, afetar a outra através de mais de uma relação financeira.


Processador Nvidia Grace Hopper instalado na NASA, com CPU e GPU para computação e inteligência artificial.
Um processador Nvidia Grace Hopper nas instalações de computação da NASA, em Ames. A aquisição de equipamentos é uma das despesas centrais da expansão da inteligência artificial. Fotografia: Don Story/NASA Ames. Domínio público nos EUA; utilização editorial gratuita.

A Nvidia quer financiar quem compra os seus processadores


A Nvidia apresentou uma proposta ainda mais explícita de associação entre financiamento e aquisição de infraestrutura. Em setembro de 2025, anunciou com a OpenAI uma parceria destinada a desenvolver pelo menos dez gigawatts de capacidade de computação baseada nos seus sistemas. Para apoiar o projeto, a fabricante declarou a intenção de investir até 100 mil milhões de dólares na OpenAI, de forma progressiva e associada à instalação da capacidade prevista. O anúncio foi apresentado como uma declaração de intenções. O valor máximo não correspondia, portanto, a um investimento integralmente realizado nem a uma obrigação de desembolso imediato. NVIDIA


A dimensão do projeto revela a dificuldade de financiar a infraestrutura necessária. Numa apresentação a investidores, a Nvidia estimou que cada gigawatt de capacidade poderia exigir entre 50 mil milhões e 60 mil milhões de dólares de investimento total. A própria fabricante reconheceu que a OpenAI precisaria de reinvestir receitas futuras ou obter financiamento adicional para suportar a expansão. NVIDIA


O interesse comercial da Nvidia é evidente: quanto mais capacidade for construída com os seus sistemas, maior pode ser a procura dos seus equipamentos. Para a OpenAI, o financiamento e a colaboração tecnológica podem facilitar o acesso a recursos necessários para desenvolver e disponibilizar os seus modelos. A questão para os investidores é diferente. Precisam de determinar se o capital disponibilizado permitirá criar procura economicamente sustentável ou se parte importante das encomendas continuará dependente de novas rondas de financiamento. O investimento pode revelar-se rentável se a utilização dos serviços crescer suficientemente. Mas o financiamento do comprador pelo fornecedor aumenta a importância de compreender a origem e a sustentabilidade da procura.


A dívida acrescenta outra camada de risco


A construção de centros de dados está a atrair investidores que tradicionalmente financiavam imóveis, infraestruturas e grandes projetos industriais. Os contratos de utilização futura podem servir de base à obtenção de crédito. Uma empresa que tenha garantido um cliente para vários anos consegue apresentar aos financiadores uma previsão de receitas associada à infraestrutura.


Mas o contrato não elimina o risco. O cliente pode enfrentar dificuldades financeiras, renegociar condições ou reduzir a necessidade de capacidade adicional. O operador pode encontrar atrasos na construção, aumentos de custos ou obstáculos no fornecimento de eletricidade.


A empresa australiana Firmus tornou-se um exemplo das dificuldades de financiamento. A operadora de centros de dados, apoiada pela Nvidia e por outros investidores, abandonou os planos para uma entrada em bolsa com a qual pretendia angariar cinco mil milhões de dólares. Optou por procurar financiamento privado, num contexto de preocupação dos investidores com o endividamento, a avaliação e a execução dos projetos previstos. Entre os fatores analisados encontravam-se uma dívida próxima de 30 mil milhões de dólares e a reduzida experiência operacional na exploração de centros de dados para inteligência artificial. Reuters


A desistência de uma operação bolsista não demonstra que o negócio seja inviável. Mostra que a disponibilidade de financiamento pode mudar quando os investidores passam a exigir provas mais sólidas de capacidade de execução e de geração de receitas.

O custo do dinheiro também importa. Quando as taxas de juro aumentam, os projetos financiados por dívida precisam de produzir receitas superiores para manter a mesma rentabilidade. Investimentos com períodos de recuperação longos tornam-se especialmente sensíveis a essa alteração. Segundo estimativas do Morgan Stanley divulgadas pela Reuters, a infraestrutura de inteligência artificial poderá necessitar de 1,5 biliões de dólares de financiamento externo até 2028. Trata-se de uma projeção, mas a sua dimensão mostra quanto capital adicional pode ser necessário. Reuters


Linhas de transporte de eletricidade, infraestrutura necessária à expansão dos centros de dados de inteligência artificial.
Linhas de transporte de eletricidade nos Estados Unidos. A capacidade das redes condiciona a entrada em funcionamento de novos centros de dados. Fotografia: Bob Wick/Bureau of Land Management, disponibilizada pelo USGS. Domínio público.

A eletricidade pode limitar a expansão


O financiamento não resolve todas as dificuldades da construção de centros de dados. Uma instalação pode dispor de capital, equipamentos e clientes sem conseguir obter a ligação elétrica necessária para entrar em funcionamento.


Nos Estados Unidos, o crescimento da procura de eletricidade pelos centros de dados está a obrigar operadores de redes e empresas tecnológicas a estudar formas de gerir o consumo. Uma das possibilidades consiste em reduzir temporariamente a utilização de determinados equipamentos durante períodos de maior pressão sobre a rede.


Segundo dados reunidos pela Reuters, o consumo elétrico dos centros de dados norte-americanos poderá ultrapassar quatro vezes o nível registado em 2024 até ao final da década, num cenário de expansão elevada. A dimensão exata dependerá da evolução da procura e da eficiência dos sistemas. Reuters


A questão energética tem consequências financeiras. Um centro de dados que entre em funcionamento mais tarde do que o previsto pode começar a gerar receitas depois da data inicialmente calculada. Entretanto, continuam as despesas com financiamento, construção e equipamentos. O aumento do custo da eletricidade também pode reduzir as margens dos operadores. A disponibilidade de energia tornou-se, assim, um dos fatores que determinam onde a infraestrutura pode ser construída e a que preço poderá funcionar. A expansão depende de decisões tomadas fora da indústria dos modelos: investimentos em redes elétricas, licenciamento, produção de energia e planeamento territorial.


A rentabilidade ainda não acompanha todos os investimentos


O crescimento das receitas de inteligência artificial é real, mas distribui-se de maneira desigual. As empresas que fornecem equipamentos podem beneficiar imediatamente da construção de infraestrutura. Os operadores de computação recebem pagamentos pela capacidade disponibilizada. Os laboratórios que desenvolvem modelos precisam de transformar essa capacidade em serviços vendidos a preços suficientes para cobrir os custos.


A Anthropic ilustra esta diferença. De acordo com dados financeiros analisados pela Reuters, a empresa registou 4,6 mil milhões de dólares de receitas em 2025, enquanto as despesas com computação e infraestrutura atingiram 7,3 mil milhões. O prejuízo operacional foi de aproximadamente 8,06 mil milhões de dólares. Reuters


A comparação entre receitas e despesas mostra a dificuldade de alcançar a rentabilidade numa fase de expansão acelerada. Não significa que a empresa esteja condenada a apresentar prejuízos. Os custos unitários podem diminuir, a utilização pode aumentar e novos serviços podem criar fontes adicionais de rendimento. Também não significa que o crescimento das receitas resolva necessariamente o problema. Se cada novo cliente exigir investimentos elevados em capacidade de processamento, a expansão comercial pode continuar a consumir capital.


A Microsoft, a Alphabet, a Amazon, a Meta e a Oracle enfrentam uma questão relacionada, embora disponham de negócios estabelecidos e fontes de financiamento diferentes. Uma análise da Reuters, baseada em estimativas financeiras, apontou para a possibilidade de o investimento agregado destas empresas ultrapassar o fluxo de caixa livre em 2027. A Oracle apresentava uma exposição particularmente elevada, com despesas de capital equivalentes a 174% do fluxo de caixa operacional no exercício de 2026. Reuters


O investimento pode ser suportável para uma empresa com receitas diversificadas e acesso a financiamento, mas reduz os recursos disponíveis para outras utilizações e aumenta a necessidade de demonstrar resultados futuros.


Uma bolha não se identifica apenas pelo montante investido


O volume de dinheiro aplicado em inteligência artificial levou a comparações com outros períodos de expansão tecnológica. A construção dos caminhos de ferro, das redes de telecomunicações e da infraestrutura da Internet também exigiu grandes investimentos antecipados. Em alguns casos, os ativos continuaram úteis mesmo quando as empresas que os financiaram sofreram perdas. Uma tecnologia pode transformar a economia sem proporcionar lucros a todos os seus primeiros investidores.


A existência de centros de dados que continuam a funcionar não garante que os seus proprietários tenham recuperado o capital investido. A utilização crescente de inteligência artificial não assegura que todos os laboratórios consigam cobrar preços suficientes para suportar as despesas. Também não se pode concluir que exista uma bolha financeira apenas porque os investimentos são elevados ou porque determinadas empresas apresentam prejuízos.

Para avaliar a sustentabilidade do setor, importa conhecer a proporção das receitas que resulta de clientes independentes, a utilização efetiva da infraestrutura, as condições dos contratos de longo prazo e o peso da dívida. É igualmente necessário distinguir compromissos anunciados de despesas realizadas. Um projeto de investimento de 100 mil milhões de dólares pode representar uma intenção condicionada à execução de várias fases. Não equivale a 100 mil milhões já gastos. Confundir estas grandezas pode ampliar artificialmente tanto a perceção do crescimento como a dimensão dos riscos.


O teste decisivo será a procura independente


A inteligência artificial já possui clientes, produtos comerciais e aplicações que produzem resultados úteis. A questão financeira não consiste em saber se existe procura, mas se ela poderá crescer o suficiente para remunerar os investimentos previstos.

O mercado será mais fácil de avaliar quando uma parcela maior das receitas dos fornecedores de infraestrutura puder ser associada à utilização efetiva dos serviços por empresas e consumidores, sem depender continuamente de capital fornecido pelos próprios participantes do setor.


Isso não exige o desaparecimento das parcerias estratégicas. Exige compreender quanto valor económico é produzido fora delas. Uma empresa que investe num laboratório e lhe vende equipamentos pode desenvolver uma relação comercial legítima e rentável. O risco aumenta quando o financiamento de novas encomendas se torna indispensável para sustentar receitas anteriores.


A construção de infraestrutura continuará a exigir capital, mesmo que a procura cresça. O que pode mudar é a capacidade dos operadores para financiar essa expansão através dos rendimentos da própria atividade.



Até lá, o setor continuará exposto a uma dificuldade de avaliação: receitas de uma empresa podem representar despesas financiadas por investidores de outra, enquanto o retorno económico final permanece por demonstrar.

A inteligência artificial pode justificar uma transformação profunda da infraestrutura tecnológica mundial. Mas o êxito da tecnologia e o êxito financeiro dos investimentos não são a mesma coisa. O dinheiro que circula entre fabricantes, laboratórios e operadores de centros de dados terá, em algum momento, de encontrar uma fonte de remuneração suficientemente ampla fora desse circuito. É aí que se decidirá quanto da expansão atual corresponde a um mercado sustentável e quanto depende da disponibilidade permanente de novo capital.


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