Islândia: o apoio militar dos EUA entre o Atlântico e Ártico
Atualizado: há 15 horas
Em Keflavík operam por rotação aviões de patrulha marítima P-8A Poseidon da Marinha dos EUA. Procuram e acompanham submarinos no Atlântico Norte. As aeronaves passam pelo país para cumprir missões numa região mais ampla. Esta forma de operar não exige que os Estados Unidos mantenham ali uma força permanente.
A Islândia não dispõe de forças armadas permanentes. Possui aeródromos, portos e infraestruturas de vigilância que podem apoiar operações no Atlântico Norte e na Gronelândia. O apoio militar dos EUA a partir da Islândia passa, assim, pelo acesso ao seu território e pelas condições que oferece às forças dos aliados. É por isso que a importância para Washington não depende de meios islandeses próprios.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, incluiu na visita reuniões com responsáveis islandeses e uma passagem por Keflavík, onde visitou um dos aviões de patrulha. A deslocação ocorreu num momento de renovada atenção americana ao Ártico, acompanhado por tensões sobre a soberania dos países e territórios da região.
Os Estados Unidos terminaram a sua presença militar permanente na Islândia em 2006, quando transferiram forças para outras áreas. O fim dessa presença não corresponde à situação atual de Keflavík. A base recebe aeronaves americanas em rotação para operações de patrulha marítima.
Uma presença permanente mantém meios no país. A rotação permite utilizá-lo durante períodos e missões determinados. Em ambos os casos, as infraestruturas locais têm uma função operacional, mas o compromisso de meios não é idêntico.
Na vigilância do Atlântico Norte, os P-8A procuram e acompanham submarinos. Os Estados Unidos e os parceiros da NATO pretendem monitorizar a atividade submarina russa e proteger infraestruturas subaquáticas. A localização islandesa num corredor marítimo estratégico torna o país relevante para estas tarefas.
Aeródromos, portos e sistemas de vigilância cumprem funções diferentes. As instalações permitem receber e apoiar forças. As capacidades de vigilância contribuem para acompanhar a atividade na região. O valor da Islândia para os aliados resulta da combinação desses recursos com a sua localização.
A ausência de forças armadas permanentes islandesas não impediu que o país fosse membro fundador da NATO. A participação na aliança e o acolhimento de operações militares estrangeiras coexistem com essa característica da organização nacional da defesa.
A Gronelândia é um território autónomo que integra o Reino da Dinamarca. A pressão de Donald Trump para obter o seu controlo foi seguida por um acordo que abriu caminho a uma presença militar americana mais ampla, sem satisfazer a exigência de controlo do território.
O alargamento dessa presença aumenta a relevância das infraestruturas disponíveis na vizinha Islândia. Os aeródromos, os portos e os equipamentos de vigilância islandeses oferecem uma base de apoio para operações na Gronelândia e no Atlântico Norte.
A utilização de instalações de um aliado permite apoiar operações sem transferir a soberania sobre o país que as acolhe. Já uma exigência de controlo sobre a Gronelândia envolve a condição política do próprio território. A cooperação militar e a contestação às posições de Washington podem existir ao mesmo tempo. A Islândia pode ter interesse em desenvolver atividades com os Estados Unidos e, simultaneamente, opor-se a iniciativas que coloquem em causa a sua soberania ou a dos seus vizinhos.
As ameaças americanas de assumir o controlo da Gronelândia provocaram tensão na NATO e inquietação na Islândia. A relação entre aliados passou a incluir uma discussão sobre os limites das ambições territoriais de Washington.
Uma imagem publicada por Trump, na qual a Islândia aparecia coberta pela bandeira americana e identificada como parte dos Estados Unidos, motivou a convocação do embaixador americano pelas autoridades islandesas. O episódio levou a questão da soberania para o plano diplomático.
Nas reuniões da visita, Rubio procurou assegurar que a expansão das atividades militares americanas na Islândia dependeria da cooperação do país e afirmou o respeito dos Estados Unidos pela soberania islandesa. A existência de instalações adequadas não equivale a uma autorização ilimitada para as utilizar. A ampliação das atividades exige entendimento entre o país que disponibiliza o território e aquele que pretende colocar ali os seus meios.
As operações no Ártico também dependem das necessidades militares americanas noutras regiões. O exercício Northern Viking contou com a participação de pessoal dos Estados Unidos, mas teve uma presença militar americana inferior à de edições anteriores.
Um exercício e uma operação de patrulha não têm a mesma função. A participação mais reduzida num exercício também não demonstra, por si, o abandono das missões realizadas a partir da Islândia. Mostra, contudo, que o nível de participação pode variar mesmo quando a cooperação se mantém.
Para ampliar a presença militar, Washington precisa de instalações acessíveis e de forças disponíveis. A Islândia oferece condições para apoiar operações, mas os aviões, os navios e o pessoal têm de ser destinados a essas tarefas. A sua localização mantém a importância do país para o Atlântico Norte e o Ártico. A dimensão da presença americana dependerá dos meios mobilizados e das atividades que os dois governos acordarem.






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