RapidRanger na Ucrânia com mísseis Martlet contra drones
Atualizado: há 7 dias
O 1030.º Regimento de Mísseis Antiaéreos e Artilharia «Aquila», integrado no 3.º Corpo do Exército ucraniano, mostrou a 2 de setembro o RapidRanger montado num veículo blindado espanhol URO VAMTAC 4×4. As imagens mostram militares a preparar o sistema para serviço de combate. É a primeira divulgação pública clara desta configuração dentro de uma formação ucraniana identificada.
RapidRanger: a defesa aérea que a Ucrânia está a testar em combate

O RapidRanger é um sistema de defesa aérea de curto alcance desenvolvido pela Thales UK. O módulo lançador pesa menos de 500 quilos, transporta quatro mísseis prontos a disparar e pode ser instalado em diferentes plataformas sobre rodas ou lagartas. A Thales indica uma capacidade de deteção superior a 15 quilómetros, alcance de empenhamento superior a 7 quilómetros e tempo de reação inferior a cinco segundos.
Na configuração mostrada pela Ucrânia, os quatro lançadores estão armados com LMM Martlet. O sistema também pode utilizar mísseis Starstreak. O Martlet, ou Lightweight Multirole Missile (LMM), pesa cerca de 13 quilos, tem aproximadamente 1,3 metros de comprimento e 76 milímetros de diâmetro. A velocidade máxima é de cerca de 1800 quilómetros por hora. O míssil utiliza um guia a laser beam-riding e pode ser empregue contra diferentes tipos de alvos. Na função antiaérea, o operador mantém o feixe laser sobre o alvo enquanto o míssil se dirige para ele.
A cobertura de 360 graus é assegurada pelo conjunto electro-óptico do RapidRanger, que permite aquisição e acompanhamento automático dos alvos. O sistema pode receber um sensor infravermelho panorâmico e radar. Pode funcionar autonomamente ou receber a informação através de uma rede de comando e controlo.
No caso ucraniano, o lançador está instalado num VAMTAC, veículo táctico espanhol com tração 4×4 e velocidade máxima indicada de 135 quilómetros por hora. O veículo pode receber diferentes módulos de armamento. No RapidRanger, transporta o lançador e os seus sensores numa plataforma móvel.
O Reino Unido anunciou em março de 2025 um contrato de £1,6 mil milhões para produzir 5000 mísseis de defesa aérea destinados à Ucrânia, numa encomenda à Thales que aumentaria a produção na fábrica de Belfast. Em fevereiro de 2026, Londres anunciou mais 1000 LMM para a Ucrânia. São, em conjunto, cerca de 6000 mísseis encomendados em dois contratos britânicos recentes.
Depois de utilizados os quatro mísseis prontos a disparar, o lançador precisa de ser recarregado. Numa frente extensa, isso implica o transporte de munições, armazenamento, pessoal treinado e uma cadeia logística capaz de manter os veículos em posições avançadas.
Os Shahed colocam esse problema em números. O Ministério da Defesa ucraniano referiu, em abril de 2026, quase 9500 drones de ataque do tipo Shahed destruídos desde o início do ano.
Os sistemas de médio e longo alcance, como Patriot, IRIS-T ou NASAMS, protegem áreas e infraestruturas a maiores distâncias. No outro extremo estão grupos móveis que utilizam metralhadoras e outras armas para combater drones a curta distância. O RapidRanger dispõe de uma área de deteção superior a 15 quilómetros e de um alcance de empenhamento até cerca de 7 quilómetros. Pode utilizar os seus sensores electro-ópticos ou receber dados de outros elementos da rede.
Depois de enviar para a Ucrânia os sistemas Stormer que tinha em serviço, Londres avançou com planos para adquirir VAMTAC equipados com RapidRanger para substituir essa capacidade e acrescentar novos veículos.
Portugal escolheu igualmente o RapidRanger para a renovação da sua defesa antiaérea terrestre. O contrato, atribuído à Thales através da NATO Support and Procurement Agency em outubro de 2024, ronda os 39 milhões de euros e inclui três sistemas RapidRanger montados em VAMTAC ST5, além de radar GroundMaster 200 e sistemas de comando e controlo.
O contrato português junta o lançador, o veículo, o radar e os sistemas de comando e controlo numa arquitetura diferente da configuração ucraniana. O núcleo do sistema continua a ser o RapidRanger sobre uma plataforma VAMTAC.
Na Ucrânia, a combinação está a ser empregada contra grandes volumes de drones, com ataques repetidos e necessidade de distribuir os meios de defesa por áreas extensas.
O 1030.º Regimento «Aquila» mostrou o sistema dentro de uma formação de combate identificada. Ainda não é pública a quantidade de RapidRanger entregue ao regimento, nem o volume de mísseis disponível para a unidade. Também não é conhecido o calendário para uma eventual produção local de LMM na Ucrânia.
O Reino Unido já associou os seus contratos de defesa aérea à transferência de capacidade industrial e ao apoio à produção e manutenção de sistemas destinados às forças ucranianas.
O RapidRanger está, assim, a ser observado na Ucrânia não apenas pelo alcance ou pelo tempo de reação do lançador, mas pela capacidade de manter uma unidade móvel abastecida e operacional enquanto enfrenta ataques que podem envolver grandes quantidades de drones.




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