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A China fecha os seus departamentos de línguas. É geopolítica.
Em maio de 2026, setenta universidades chinesas anunciaram cortes em línguas estrangeiras. Oito licenciaturas em japonês, cinco em alemão, cinco em tradução. O Ministério da Educação Chinês aprovava em simultâneo robótica, semicondutores e inteligência incorporada. A linguagem oficial falava em eficiência. A palavra que ficou por dizer foi poder.
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Ainda reconhecemos o carácter?
Numa sala de reuniões aparentemente banal, uma cadeira vazia desencadeia uma reflexão sobre uma palavra que permanece viva no discurso público, mas perdeu parte da sua força: carácter. Entre a política, a cultura e a vida quotidiana, este ensaio interroga a forma como a eficácia passou a valer mais do que a contenção, a visibilidade mais do que a reputação e porque continuamos a admirar certas virtudes mesmo quando já raramente as pedimos a quem exerce poder.
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O mercado político do ódio útil
A política portuguesa aprendeu a transformar frustração material em identidade negativa. Entre o Chega, a polarização afetiva e a suspeita sobre os pobres, o ódio tornou-se um recurso útil: barato, mobilizador e administrável.
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Quando o boato se torna poder
Do café da esquina aos grupos de mensagens, o boato mudou de velocidade. Esta crónica observa como a inteligência narrativa pode ajudar a distinguir uma preocupação legítima de uma operação organizada para gerar medo, suspeita e dano.
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Maria do Rio e as pequenas coisas que governam Portugal
Maria do Rio parte de um café antigo, de uma torrada na chapa e de uma mulher que faz contas no autocarro para observar o país que raramente cabe nos discursos oficiais. Entre mercearias, escolas, vizinhos e gestos mínimos, a crónica mostra como Portugal continua a ser sustentado por decisões pequenas, invisíveis e profundamente humanas.
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Maria do Rio e a banca de flores que ainda sabe ouvir a praça
Maria do Rio entra na praça para comprar maçãs e acaba diante da banca da Amélia, onde flores, conversas e pequenos gestos revelam um país que ainda resiste na vida comum.
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Portugal no raio-X: patriotismo, memória e a bandeira no tabuleiro
Uma pequena bandeira portuguesa, pousada no tabuleiro de segurança do Aeroporto Humberto Delgado, serve de entrada para um ensaio sobre patriotismo, memória histórica, império, guerra colonial, Abril, emigração e a tentação de transformar a pátria em instrumento de exclusão.
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Lisboa e os Rapazes que Atravessam a Cidade
Os adolescentes em bicicletas elétricas irritam Lisboa porque interrompem mais do que o trânsito. Expõem uma cidade arrumada para ser vista, mas cada vez menos disponível para quem cresceu nela. Entre perigo, gesto e pertença, a velocidade torna-se uma linguagem urbana.
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O país que não recebia armas tornou-se fornecedor dos que as tinham
A mesma guerra que reduziu o armamento à Ucrânia criou-lhe um mercado que não depende dos Estados Unidos para existir. O país que não recebia Patriot suficientes tornou-se fornecedor dos países que os tinham. O drone é o produto. A relação com o Golfo é o investimento.
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O que significa celebrar o 25 de Abril hoje?
A liberdade não desaparece sempre por rutura. Pode tornar-se cenário.
O 25 de Abril mostra hoje uma democracia ainda formalmente sólida, mas menos segura do seu sentido comum.
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Amar os livros não é o mesmo que ler. Os filhos sabem.
Existe uma distinção que os estudos sobre hábitos de leitura raramente formulam com clareza: a diferença entre amar os livros e ler. As duas coisas não são a mesma. O que se transmite, na maioria dos casos, não é o hábito de ler. É a posição social da leitura. A ideia de que livros são importantes. A retórica da sua necessidade. Isso é muito diferente de transmitir o prazer concreto, físico, quase viciante, de acabar um capítulo às duas da manhã porque não se consegue largar
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Violência paterna: o que fica depois do medo
A mão do pai é maior do que o rosto do filho. Isso é um facto anatómico e é também a primeira coisa que o filho aprende sobre a diferença de tamanho entre os corpos — que essa diferença pode doer. O que a violência parental ensina não é uma lição sobre o bem e o mal. É uma lição sobre quem pode o quê — e sobre quem não pode ir a lado nenhum quando descobre.
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Violência doméstica em idosos: os 4.049 que o RASI não analisa
Em 2025, 4.049 pessoas com mais de 64 anos apresentaram queixa por violência doméstica em Portugal. O agressor é frequentemente um filho, um neto, um cuidador. A casa que devia ser abrigo na última fase da vida tornou-se o sítio do perigo — e o sistema de resposta não foi desenhado para esta porta de entrada.
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Violência doméstica em Portugal: 61% dos inquéritos arquivados em 2025
Em 2025, 23.836 inquéritos por violência doméstica foram arquivados em Portugal — 61% do total. No mesmo ano, os homicídios em contexto de violência doméstica subiram de 23 para 27 vítimas. A ligeira diminuição que o Estado apresenta como progresso pode ser apenas menos fé no sistema.
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O Cruzeiro do Sul como Infraestrutura
Quando João Faras se inclinou sobre um astrolábio de bronze na costa do Brasil recém-encontrado, estava a fazer algo que nenhum europeu tinha feito antes: medir o hemisfério sul com rigor suficiente para confiar nele. Produziu um relatório de trabalho. A história guardou a carta. O céu guardou o Cruzeiro do Sul — a constelação que Portugal usou para navegar, depois esqueceu, e o mundo transformou em bandeiras.
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O que estava arquivado
Existe, no Arquivo Nacional Torre do Tombo, um fundo com o nome da polícia política que o produziu. O que contém não é apenas o registo de um regime — é o registo de uma gramática. Uma gramática de permissões que foram suspensas em 1974, mas não abolidas. O que está a acontecer na Europa, em Portugal, nos Estados Unidos, não é ruptura. É regresso. A diferença importa.
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A Sala Estava Quase Vazia
A Livraria Lello fechou às sete, como sempre, mas havia uma luz numa sala lateral no segundo andar. As janelas ficam no segundo andar, virada para a Rua das Carmelitas. Quem passa vê a luz. Dentro, doze cadeiras dobráveis, dispostas em meia-lua. Dez estavam ocupadas.
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A Presidência Não é um Troféu
Nesta segunda volta, o voto não decide só um rosto. Decide o que fazemos do cargo: árbitro discreto ou megafone de facção. Há um candidato que já anunciou não querer ser Presidente de todos — e isso transforma Belém num teste de resistência institucional. O país não está a escolher uma fotografia; está a escolher o tipo de silêncio, de pressão e de poder que aceita a partir de amanhã.
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O General Que Esperou Dois Anos Pelo Golpe Fatal
Chegou a Lisboa a 26 de abril de 1934, recebido com “vivas” no cais, e instalou-se no Estoril como quem entra numa antecâmara política. José Sanjurjo trazia a Sanjurjada falhada, dois anos de prisão e uma amnistia recente; trazia, sobretudo, a certeza de que a conspiração não tinha morrido com o fracasso. Entre 1934 e 1936, Portugal foi mais do que cenário: foi abrigo, rede e plataforma discreta de preparação. E, quando o golpe de julho de 1936 rebentou, Sanjurjo morreu em Ca
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As Novas Cortes
Há cortes que já não precisam de trono: bastam-lhes portas, convites e a arte de subir sem deixar marcas. Um texto sobre ambição discreta, virtude em palco e o mecanismo que fica quando o cenário muda.
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