Bispos nórdicos: Roma recusou exceção para católicos maçons
- Alberto Carvalho

- há 5 dias
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Em 29 de junho de 2026, os seis bispos da Conferência Episcopal Nórdica disseram aos párocos que um católico ligado à maçonaria deve abster-se da comunhão e fica impedido de receber os outros sacramentos enquanto conservar essa filiação. A carta enviada aos sacerdotes proíbe ainda as instituições católicas de celebrarem acordos de colaboração com maçons ou lojas maçónicas e de utilizarem imóveis que pertençam a essas organizações.
Bispos nórdicos aplicam sem exceções a proibição aos católicos maçons
As instruções abrangem as comunidades católicas da Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia. Também determinam que uma pessoa que pretenda ser batizada na Igreja Católica, ou nela entrar em plena comunhão como cristão já batizado, abandone primeiro a maçonaria. Aos católicos que pertençam a uma loja, os sacerdotes devem pedir que terminem essa ligação.
Antes de anunciar as medidas, a conferência perguntou ao Dicastério para a Doutrina da Fé se as características locais da maçonaria permitiam uma exceção. Durante anos, tinha circulado entre os católicos da região a ideia de que certas lojas nórdicas seriam diferentes das organizações maçónicas consideradas nos documentos de Roma.
Algumas organizações maçónicas da região apresentam-se como assentes em referências cristãs e orientadas para o aperfeiçoamento moral, a fraternidade e a beneficência. Essa identificação levou alguns católicos a admitirem que a incompatibilidade declarada pela Igreja talvez não se aplicasse da mesma forma no Norte da Europa.
Os bispos levaram a questão a Roma entre 1 e 5 de setembro de 2025. Durante a assembleia plenária da Conferência Episcopal Nórdica, reuniram-se com superiores e responsáveis do Dicastério para a Doutrina da Fé. A carta publicada nove meses mais tarde descreve a resposta recebida como “crystal clear”.
Não existe, afirmam os bispos, qualquer exceção, norma particular ou dispensa que permita distinguir a filiação maçónica nos países nórdicos da disciplina universal da Igreja. As orientações da Santa Sé devem ser aplicadas integralmente em todo o território da conferência.
Na carta, não aparecem os nomes dos representantes do Dicastério. A resposta é resumida pelos bispos, sem que seja apresentada uma ata da reunião ou um texto escrito entregue pelo organismo. Até agora, o Dicastério também não publicou um documento autónomo sobre a consulta.
O comunicado divulgado em 5 de setembro de 2025, no final da assembleia, não fazia referência à maçonaria. Informava que os bispos tinham estado reunidos em Roma e que haviam sido recebidos por Leão XIV. Tratava ainda de outros assuntos discutidos durante aqueles dias, mas não dava notícia do encontro com o Dicastério nem da pergunta sobre uma eventual exceção nórdica. A consulta só surgiu publicamente na carta de junho de 2026, assinada pelo presidente da conferência, Erik Varden, pelo cardeal Anders Arborelius e pelos restantes membros do organismo.
A reunião com o Dicastério ocorreu quatro meses depois do início do pontificado de Leão XIV. Segundo a carta, o organismo manteve perante os bispos nórdicos a disciplina existente e recusou uma adaptação regional.
Durante a mesma assembleia, Leão XIV recebeu os bispos em audiência. Nenhum dos relatos publicados afirma que a questão maçónica tenha sido discutida com o Papa ou que este tenha aprovado as disposições posteriormente anunciadas. A Santa Sé não publicou uma alteração doutrinal nem uma nova norma pontifícia sobre o caso.
Em 1983, a então Congregação para a Doutrina da Fé publicou a Declaração sobre as Associações Maçónicas. O documento explicou que a ausência de uma referência expressa à maçonaria no novo Código de Direito Canónico não significava que a proibição tivesse desaparecido.
A declaração, aprovada por João Paulo II e assinada pelo cardeal Joseph Ratzinger, considerava inconciliáveis os princípios maçónicos e a doutrina católica. Os fiéis inscritos em associações maçónicas encontravam-se, segundo o documento, em estado de pecado grave e não podiam receber a comunhão.
A declaração de 1983 determinava também que as autoridades eclesiásticas locais não podiam avaliar certas organizações maçónicas de uma forma que permitisse afastar a regra estabelecida por Roma. A eventual diferença entre lojas não poderia ser usada por um bispo ou por uma conferência episcopal para autorizar a filiação de católicos.
Em 2023, o Dicastério para a Doutrina da Fé voltou a confirmar a proibição. O documento então publicado reiterava que um católico não pode manter uma filiação maçónica ativa e recomendava uma explicação pastoral acessível acerca das razões da incompatibilidade. A carta nórdica cita tanto essa orientação como a declaração de 1983.
A restrição relativa à comunhão já constava da declaração de 1983. A carta de 2026 acrescenta indicações explícitas sobre os outros sacramentos, sobre o batismo de novos católicos e sobre a entrada em plena comunhão de cristãos anteriormente batizados.
Nas relações institucionais, nenhuma paróquia, comunidade religiosa, sociedade de vida apostólica, organização ou instituição católica pode celebrar acordos de colaboração com maçons ou lojas maçónicas, nem utilizar propriedades que lhes pertençam. Esta proibição não aparece formulada dessa maneira nos documentos citados pela conferência.
A carta não diz como devem ser tratados eventuais acordos anteriores à sua publicação. A referência a colaborações com “maçons” também fica sem delimitação: o texto não esclarece se abrange uma relação institucional com uma pessoa que pertença a uma loja, nos casos em que essa pessoa atue em nome próprio e a filiação não tenha ligação com o acordo.
O documento pressupõe que a filiação seja conhecida no âmbito do acompanhamento pastoral. Não cria um dever de declaração nem explica como deve ser apurada essa pertença quando a informação disponível é incompleta.
A carta reconhece que pode haver boa vontade e obras meritórias entre maçons. A proibição não é apresentada como um juízo geral sobre o caráter de cada membro. A incompatibilidade invocada situa-se nos princípios teológicos e filosóficos atribuídos à maçonaria, independentemente da atitude de uma determinada loja perante a Igreja.
O documento não volta a expor esses princípios. Pede aos sacerdotes que estudem os textos oficiais antes de explicarem a posição católica aos fiéis abrangidos. Devem incentivar o abandono da maçonaria e acompanhar os católicos durante esse processo.




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